Impacto Direto em Destinos e Operações Hoteleiras
A intensificação de eventos climáticos extremos no Brasil está causando sérios transtornos não só para as populações locais, mas também para o setor de turismo e hotelaria. Em 2024, a seca severa na Amazônia levou o Rio Negro a níveis historicamente baixos em Manaus, afetando o abastecimento de água para centenas de milhares de pessoas e comprometendo atividades turísticas em um estado com mais de 250 hotéis. Paralelamente, as chuvas torrenciais no Rio Grande do Sul resultaram nas maiores enchentes já registradas, impactando mais de dois milhões de pessoas e interrompendo serviços essenciais, incluindo o fornecimento de água em cidades com mais de 270 estabelecimentos hoteleiros.
Vulnerabilidade da Infraestrutura Turística
Esses eventos extremos, frequentemente associados a crises humanitárias, também evidenciam um risco crescente e ainda pouco discutido no âmbito do turismo: a fragilidade da infraestrutura que sustenta a experiência dos viajantes, com destaque para o acesso à água potável. Hotéis, aeroportos, restaurantes e atrações turísticas dependem diretamente de sistemas de abastecimento estáveis. A mudança nos padrões climáticos, com eventos mais frequentes e imprevisíveis, agrava esse cenário. Em períodos de estiagem, a escassez de água pode interromper o fornecimento, crucial para destinos com alta demanda sazonal. Já em situações de chuvas intensas, a contaminação da água por sedimentos e poluentes torna o tratamento mais complexo e arriscado para a saúde pública.
Riscos à Saúde e à Reputação do Setor
A segurança sanitária dos viajantes está diretamente ameaçada quando o abastecimento de água é comprometido ou o tratamento é inadequado. O aumento do risco de contaminação e doenças é uma preocupação significativa, especialmente para quem está longe de casa e sem acesso à sua rede de saúde habitual. Para o setor hoteleiro, que utiliza água em praticamente todas as suas operações – desde a limpeza dos quartos e lavanderia até o preparo de alimentos e bebidas e a manutenção de áreas de lazer –, a indisponibilidade ou má qualidade da água pode não apenas arruinar a experiência do hóspede, mas também prejudicar gravemente a reputação do destino.
Segurança Hídrica como Prioridade no Planejamento Turístico
Especialistas enfatizam que a segurança hídrica deve se tornar um pilar fundamental no planejamento estratégico do setor turístico e hoteleiro. “Sem acesso confiável à água, não há como garantir a operação de hotéis, serviços e experiências. A discussão sobre turismo sustentável precisa incluir, necessariamente, a resiliência da infraestrutura básica”, afirma Fernando Silva, CEO da PWTech, empresa especializada em soluções de tratamento de água. O avanço de tecnologias adaptáveis e de rápida implementação, como sistemas modulares e portáteis de tratamento de água, ganha relevância para garantir o abastecimento em situações emergenciais e em locais com infraestrutura limitada. A colaboração entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil é vista como essencial para respostas eficazes, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Fonte: revistahoteis.com.br
