Nova Doutrina de Segurança Nacional
Os Estados Unidos anunciaram uma nova estratégia de Segurança Nacional que inclui uma ofensiva global contra o extremismo político de esquerda. O foco principal é combater grupos que patrocinam ou executam ações violentas nos EUA, com a Europa emergindo como um alvo prioritário. O Departamento de Estado já aplicou sanções a pelo menos duas redes no continente: o coletivo italiano Autistici/Inventati (A/I), acusado de fornecer infraestrutura digital para células da Antifa e outros grupos radicais de esquerda nos EUA, e o Palestine Action, reconhecido no Reino Unido como organização terrorista.
Europa como “Incubadora” de Ameaças
A estratégia americana considera a Europa um terreno fértil para ameaças terroristas, devido a fatores como imigração em massa, fragilidade de fronteiras e redução de investimentos no combate ao terrorismo. Washington identifica três grandes categorias de ameaças globais em expansão: grupos criminosos transnacionais, terroristas islâmicos tradicionais e extremistas violentos de esquerda, incluindo anarquistas e antifas. A designação da Antifa como organização terrorista foi um dos primeiros movimentos do governo republicano, após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.
Sanções e Alianças Ideológicas
A ofensiva se expandiu para incluir outros quatro grupos europeus, como a Antifa Ost (Alemanha), Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional (FAI/FRI, Itália), Justiça Proletária Armada e Autodefesa de Classe Revolucionária (Grécia). O senador Marco Rubio convocou uma cúpula internacional para discutir a “estratégia deliberada de desestabilização de sociedades livres”. Especialistas apontam que as sanções não são coincidência e refletem uma visão de Washington sobre a coexistência desconfortável em países como Itália e Reino Unido entre governos alinhados e arcabouços regulatórios digitais considerados hostis às big techs americanas e ao livre discurso político.
Guerra Cultural com Instrumentos de Política Externa
A professora de Relações Internacionais, Ludmila Culpi, avalia que a ofensiva global contra o radicalismo de esquerda representa a formalização de uma nova doutrina americana. Essa doutrina, segundo ela, só se compreende em conjunto com a retórica de Washington em relação à Europa liberal, que aponta a “retração dos valores fundamentais” das democracias europeias como a ameaça mais séria ao Ocidente. As ações atuais, que combinam sanções antiterrorismo, disputa regulatória sobre liberdade de expressão e recomposição de alianças ideológicas transatlânticas, formam uma nova gramática da guerra cultural, utilizando instrumentos de política externa e não apenas retórica.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
