Estrategista de Bolsonaro e Milei, Fernando Cerimedo, é alvo de múltiplas investigações na Bolívia e na Argentina

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Argentino é suspeito de ordenar atentado contra ex-companheira e enfrenta acusações de fraude, lavagem de dinheiro e ligação com narcotráfico.

Fernando Cerimedo, conhecido por sua atuação como estrategista digital em campanhas de extrema direita na América Latina, incluindo as de Jair Bolsonaro e Javier Milei, encontra-se no centro de uma rede de investigações na Bolívia. O argentino, que circulou nos bastidores do poder sem ocupar cargos oficiais, é agora alvo de uma série de processos judiciais.

A acusação de atentado e a trajetória questionada

Um dos casos mais graves envolve a suspeita de que Cerimedo ordenou um atentado contra sua ex-companheira, a advogada boliviana Nadia Beller. Ela foi atingida por três disparos no peito, braço e lado direito do corpo. Cerimedo foi preso no aeroporto de Santa Cruz quando tentava embarcar para Buenos Aires. Promotores bolivianos o apontam como o “provável mentor e articulador público” por trás da tentativa de feminicídio. Buscas em imóveis ligados a Cerimedo revelaram grandes quantias em dinheiro em diversas moedas.

Paralelamente, investigações na Bolívia apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e de que Cerimedo poderia ter oferecido proteção a voos clandestinos ligados ao narcotráfico, com base em declarações de Nadia Beller. A trajetória de Cerimedo, que ele costuma apresentar como um sucesso vindo de origens humildes, tem sido questionada. Uma investigação do Centro Latinoamericano de Investigación Periodística (CLIP) revelou que ele teria trabalhado como taxista, funcionário de seguradora, empregado de empresa de tecnologia, de fábrica de plásticos e professor do ensino médio. Em 2016, foi condenado na Argentina por fraude ao vender o mesmo apartamento para dois compradores diferentes.

Da desinformação eleitoral à projeção internacional

Cerimedo ganhou notoriedade ao disseminar teorias conspiratórias durante a pandemia de Covid-19 e se consolidou nos círculos da direita libertária argentina. Seu método de disseminação de desinformação eleitoral foi aperfeiçoado em campanhas no Chile e ganhou projeção internacional após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil em 2022, quando Cerimedo exibiu um relatório anônimo que acusava falsamente o sistema eleitoral de fraude em uma transmissão ao vivo intitulada “Brasil Foi Roubado”. Em 2023, assumiu a comunicação digital da campanha de Javier Milei, sugerindo o uso simbólico da motosserra.

Distanciamento de aliados e redes de influência

Diante das investigações, tanto o presidente boliviano Rodrigo Paz quanto o argentino Javier Milei se distanciaram de Cerimedo. Paz declarou que nunca teve um contrato formal ou relação de trabalho direta com ele, enquanto Milei afirma não ter qualquer ligação com o estrategista desde 2023. No entanto, registros indicam que Cerimedo visitou a Casa Rosada, sede da presidência argentina, diversas vezes entre dezembro de 2023 e junho de 2024. O caso boliviano também expôs uma rede que transcende Cerimedo, com associações a protestos antigovernamentais no México e acusações de manipulação eleitoral na Colômbia. Especialistas apontam que a influência de consultores e estrategistas digitais que atravessam fronteiras, sem ocupar cargos formais, representa um novo modelo de atuação política na região.

Fonte: g1.globo.com

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