Estádio Azteca: Reinauguração É Marcada por Empate Sem Gols Entre México e Portugal, Morte de Torcedor e Intensos Protestos Sociais Antes da Copa de 2026

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A tão aguardada reinauguração do Estádio Azteca, um dos palcos mais icônicos do futebol mundial e futuro anfitrião da Copa do Mundo de 2026, ocorreu neste sábado (28) com um amistoso entre México e Portugal. No entanto, a festa para os mais de oitenta mil espectadores presentes foi ofuscada por um empate sem gols (0 a 0), a trágica morte de um torcedor e uma série de manifestações sociais nos arredores do estádio.

Tragédia Choca a Reabertura: Torcedor Morre Após Queda Fatal

O evento festivo foi abruptamente abalado pela morte de um torcedor, cuja idade foi preliminarmente estimada em 27 anos. A Secretaria de Segurança Civil informou que o homem, em estado de embriaguez, tentou descer do segundo para o primeiro nível da área de camarotes, saltando pela parte externa. Essa tentativa imprudente resultou em uma queda violenta até o térreo, onde foi prontamente atendido por equipes médicas de emergência. Apesar dos esforços, o torcedor, infelizmente, veio a óbito no local, lançando uma sombra de luto sobre a celebração.

Empate Morno em Campo e a Luta Contra Gritos Homofóbicos

Dentro das quatro linhas, a partida entre México e Portugal ficou aquém das expectativas, terminando em um monótono 0 a 0. O desempenho ofensivo das duas seleções foi considerado insatisfatório, apesar de o México ter criado algumas chances que, em certos momentos, empolgaram a torcida. Contudo, a impaciência tomou conta dos espectadores com o passar dos minutos, levando-os a entoar “Olê” em resposta ao jogo de passes da equipe portuguesa. No final da partida, um incidente lamentável se repetiu: a torcida da casa proferiu gritos homofóbicos após cobranças de tiro de meta dos goleiros Raú Rangel (México) e Rui Silva (Portugal). Na tentativa de abafar esses cânticos, que já resultaram em sanções contra a federação local, o sistema de som do estádio tocou a tradicional canção mexicana ‘Cielito Lindo’. Apesar da ausência de gols, os torcedores foram agraciados no intervalo com um espetacular show de luzes e fogos de artifício. O técnico de Portugal, Roberto Martínez, comentou que “a partida precisava de um gol para que se abrisse. Para os torcedores, não foi o jogo mais empolgante, mas, taticamente, foi excelente”. Já Javier Aguirre, técnico do México, elogiou o desempenho individual de jogadores como Álvaro Fidalgo, que estreou pela seleção mexicana, e Armando González, artilheiro do Guadalajara, destacando a “personalidade” e a “vontade de buscar a bola” de Fidalgo. Do lado português, Paulinho, ex-artilheiro do Toluca, recebeu uma calorosa recepção dos torcedores.

Ruas em Ebulição: Protestos Visibilizam Causas Sociais

Nas horas que antecederam o pontapé inicial, os arredores do Estádio Azteca se transformaram em um caldeirão de manifestações sociais. Diversos grupos se reuniram para dar visibilidade a causas urgentes: mães de desaparecidos, ativistas contra a gentrificação, defensores da legalização da maconha e ativistas pelos direitos dos animais. Brenda Valenzuela, uma dona de casa de 43 anos, protestou em frente ao estádio com uma grande faixa exibindo a foto de seu filho, Carlos Galván, desaparecido em 5 de outubro de 2025, em Mazatlán. Ela justificou sua presença afirmando que “escolhi vir aqui hoje porque este é um evento que atrai uma multidão enorme e gera uma visibilidade imensa”, considerando “inaceitável” sediar um evento esportivo global enquanto milhares de mães enfrentam a tragédia do desaparecimento de seus filhos. Outro grupo, formado por cerca de 30 mães de pessoas desaparecidas da região sul de Ajusco, nas proximidades do estádio, portava cartazes em espanhol, inglês e português, com palavras de ordem contundentes como “México: Campeão em desaparecimentos!” e “Parem de jogar com a nossa dor!”. O coletivo denunciou que quase 300 pessoas desapareceram num raio de 15 quilômetros do Estádio Azteca, traçando um paralelo com a descoberta de valas clandestinas nas proximidades do Estádio Akron, em Guadalajara. Funcionários do governo da capital cercaram os manifestantes em uma manobra que, segundo a AFP, parecia ter sido concebida para reduzir a visibilidade do grupo.

Ausência de CR7 e a Polêmica do Novo Nome ‘Banorte Azteca’

A ausência do astro português Cristiano Ronaldo foi, sem dúvida, um dos pontos mais lamentados pelos fãs presentes. Muitos torcedores, especialmente as crianças, expressaram sua frustração por não verem o ídolo em campo. “Ele não veio porque é um metido”, disse José María Díaz, de sete anos, à AFP, refletindo o desapontamento de muitos. Luis Camarena, de 40 anos, que levou seus dois filhos ao estádio, lamentou: “as crianças queriam vê-lo. Estamos tristes”. Outra novidade que gerou debate foi a presença onipresente da marca Banorte, o novo nome que acompanha o tradicional Estádio Azteca. Em 2025, este banco concedeu um patrocínio de 116 milhões de dólares (cerca de 607 milhões na cotação atual) para a reforma do estádio visando a Copa do Mundo de 2026. A mudança no nome dividiu opiniões na reabertura. Jessica Alcocer, de 45 anos, foi enfática: “Eu não gosto. Para mim, será sempre o Estádio Azteca, por tradição”. Em contrapartida, Claudia Morales, de 58 anos, defendeu a mudança: “Na verdade, eu gosto. Um nome novo combina bem com o estádio reformado”.

Fonte: jovempan.com.br

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