Crise sem precedentes assola o Nepal
O Nepal está mergulhado em uma crise humanitária após violentas enchentes, que deixaram um rastro de destruição e centenas de mortos. As águas torrenciais, carregadas de rochas, gelo e lama, varreram comunidades inteiras e causaram danos significativos a infraestruturas vitais, como usinas hidrelétricas. Até o momento, mais de 900 pessoas perderam a vida e quase 4,8 mil permanecem desaparecidas, conforme dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (31), marcando o sexto dia de intensos esforços de resgate.
Governo Gen Z em xeque
A tragédia ocorre em um momento crucial para o governo do primeiro-ministro Balendra Shah, de 36 anos, que ascendeu ao poder após protestos anticorrupção liderados pela Geração Z no ano passado. Esta é a primeira grande crise nacional que a administração, em grande parte inexperiente, precisa gerenciar. Críticos apontam falhas na coordenação e lentidão nos resgates, especialmente em áreas remotas e em túneis de usinas hidrelétricas onde centenas de trabalhadores podem estar presos.
Ansiedade e críticas marcam os resgates
A angústia toma conta dos familiares que aguardam notícias de seus entes queridos. Sushila Giri, mãe de um estudante desaparecido em um projeto hidrelétrico, expressa a dor e a incerteza: “Por favor, me ajudem a descobrir onde ele está.” Ativistas da Geração Z, como Raksha Bam, cobram agilidade e a busca por assistência internacional especializada. Indra Adhikari, que perdeu sua casa e quatro parentes, lamenta que os esforços de resgate pareçam concentrados em áreas acessíveis e com cobertura da imprensa, enquanto povoados remotos permanecem isolados.
Desafios na coordenação e resposta
O próprio governo admitiu não estar totalmente preparado para um desastre dessa magnitude, o pior desde o terremoto de 2015. O ministro da Informação e Comunicação, Bikram Timilsina, reconheceu uma certa confusão inicial, mas assegurou que todos os esforços estão agora voltados para busca, resgate e assistência humanitária. Embora as agências de segurança tenham sido elogiadas pela capacidade de resposta, especialmente no uso de helicópteros, a crise levanta questionamentos sobre a coordenação entre o governo federal e as administrações locais e provinciais. A demora em aceitar ajuda internacional, especialmente para resgates em túneis, é um dos pontos mais criticados, com especialistas apontando que dias cruciais foram perdidos.
Arrecadação de fundos e centralização de ações
Apesar das críticas, o governo tem demonstrado capacidade de mobilizar recursos. Mais de 5 bilhões de rúpias nepalesas (aproximadamente R$ 179 milhões) foram arrecadados para as vítimas. No entanto, autoridades locais, como a vice-prefeita Prabha Bogati, apontam uma margem de manobra limitada devido a uma abordagem centralizada do governo federal, que exige que toda a assistência seja coordenada por uma única estrutura de comando. Isso dificultaria o envolvimento de comunidades locais e voluntários, que historicamente desempenham um papel crucial em operações de resgate e assistência humanitária em crises anteriores.
Fonte: g1.globo.com
