A Inteligência Artificial (IA), especialmente os agentes inteligentes, consolidou-se como uma das principais prioridades estratégicas para as empresas brasileiras nos próximos anos. Um estudo recente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), em parceria com a IDC, revela que 40% das companhias já estão investindo ativamente nessa tecnologia, enquanto outras 33% planejam iniciar projetos nos próximos 12 meses, totalizando 73% do mercado focado na inovação.
A segunda parte do estudo “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026”, divulgada nesta segunda-feira (15), destaca que agentes de IA e a IA generativa lideram a agenda estratégica para 2026, sendo apontados como prioridade por 53% dos executivos. Esse movimento reflete uma tendência global de intensificação na adoção de recursos de IA, com o Brasil avançando rapidamente da fase de experimentação para a implementação prática.
Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo levantamento, enfatiza a crescente relevância dos agentes de IA. “Os agentes ocupam um papel cada vez mais relevante na automação de processos, na produtividade e na geração de novos modelos de negócio”, afirma Sukarie Neto, ressaltando a maturidade do mercado local em relação à tecnologia.
Desafios e Outras Prioridades Tecnológicas
Apesar do entusiasmo e do avanço significativo, a expansão da Inteligência Artificial em escala corporativa ainda encontra obstáculos. Entre os desafios mais citados pelas empresas estão a qualidade dos dados, a modernização de sistemas legados, a governança de dados, a escalabilidade dos projetos e, crucialmente, a escassez de profissionais especializados na área.
Além da IA, outras tecnologias também figuram como prioridades na agenda das companhias brasileiras. A segurança da informação e a segurança em nuvem aparecem em destaque, com 41% das menções, seguidas de perto por inteligência artificial e machine learning, com 35%. Infraestrutura de nuvem e Big Data & Analytics também são temas relevantes, ambos com 24%.
O Mercado Brasileiro de Software e Serviços em Expansão
O estudo da ABES-IDC também oferece um panorama robusto do mercado de software e serviços no Brasil. O país encerrou 2025 com mais de 40 mil empresas ativas nesse segmento, que movimentou impressionantes US$ 35,4 bilhões – o equivalente a cerca de R$ 180 bilhões em conversão direta. O setor financeiro se destaca como o maior consumidor de tecnologia, respondendo por 25,4% do mercado, seguido por Serviços e Telecomunicações (24,3%) e Indústria (19,5%).
Ecossistema e Distribuição Regional dos Investimentos
O ecossistema brasileiro de software e serviços é predominantemente formado por pequenos negócios. Seis em cada dez empresas identificadas são microempresas, e quase 30% são pequenas empresas. Médias organizações representam 3,4% do mercado, enquanto as grandes corporações correspondem a 2,3%.
A pesquisa aponta ainda para uma distribuição regional dos investimentos em tecnologia mais equitativa, embora o Sudeste continue concentrando a maior parte dos aportes nacionais em TI, com 62,37% do total em 2025 – uma leve queda em relação aos 65% registrados em 2012. As regiões Sul e Centro-Oeste vêm na sequência, com aproximadamente 15% e 10%, respectivamente, enquanto Nordeste (7,70%) e Norte (3,12%) registram as menores concentrações. “Observamos um mercado de tecnologia cada vez mais distribuído regionalmente e sustentado por um ecossistema robusto de empresas inovadoras”, conclui Jorge Sukarie Neto.
Fonte: canaltech.com.br
