Do ChatGPT ao Claude: Como 50 Milhões de Brasileiros Estão Usando IA no Trabalho, Estudos e Vida Pessoal, e os Desafios da Desigualdade Digital

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A inteligência artificial (IA) transcendeu as solicitações iniciais de textos simples e receitas, consolidando-se como uma ferramenta multiuso na rotina dos brasileiros. A integração dessas tecnologias já abrange uma vasta gama de atividades, do trabalho aos estudos e aplicações na vida pessoal, demonstrando uma crescente compreensão de seu potencial. Dados recentes corroboram essa tendência: o estudo TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, revela que cerca de 50,2 milhões de brasileiros já incorporaram a IA em seu dia a dia, um número que representa quase um terço (32%) de todos os internautas do país.

O Alerta da Desigualdade Digital na Adoção da IA

Apesar do cenário promissor de uso, a pesquisa TIC Domicílios 2025 também acende um alerta sobre a influência da desigualdade socioeconômica na adoção da IA no Brasil. Enquanto 69% das pessoas da classe A já utilizam plataformas de IA, esse índice despenca para apenas 16% entre as classes D e E. A educação formal também desempenha um papel crucial: 59% dos brasileiros com ensino superior já aderiram à tecnologia, contra apenas 17% daqueles que concluíram somente o ensino fundamental. A principal barreira para a parcela menos escolarizada é a falta de habilidade, o que sinaliza a necessidade de políticas para evitar que o avanço da IA amplie as disparidades sociais.

IA no Trabalho e Estudos: O Uso de Claude e ChatGPT

Além das análises gerais, levantamentos específicos detalham os hábitos da população em plataformas como o Claude e o ChatGPT. Uma pesquisa da Anthropic de 2026, o Anthropic Economic Index, destaca que a redação, revisão e análise de documentos jurídicos e petições judiciais representam 8,2% do uso do Claude no Brasil, reforçando a vocação do país para aplicações de IA relacionadas ao trabalho. Outras utilizações notáveis incluem a escrita de ficção (4,7%), tarefas de programação (4,5%) e criação de roteiros (3,9%). O setor de Computação e Matemática lidera o uso do Claude, com 29% das interações, indicando a forte integração da IA por programadores e desenvolvedores.

O ChatGPT, da OpenAI, também é um gigante no Brasil. O país é o terceiro maior usuário global da ferramenta, atrás apenas de Estados Unidos e Índia, com 140 milhões de prompts diários em 2025. Tarefas de escrita e comunicação dominam, concentrando 20% dos pedidos. O chatbot também se mostra um aliado fundamental para estudo e aprendizado, com 15% dos prompts dedicados a processos de aperfeiçoamento. A comunidade de programadores e desenvolvedores utiliza 6% das solicitações para análise de dados e desenvolvimento de aplicativos e sites.

Aprendizado e Entretenimento: A Versatilidade da IA na Vida Pessoal

A pesquisa Our Life with AI, do Google em parceria com a Ipsos (2026), complementa o panorama, mostrando que o principal objetivo dos adultos brasileiros ao usar IA é aprender coisas novas ou compreender temas complexos, citado por 79% dos entrevistados. A assistência em atividades de trabalho é mencionada por 75%, enquanto o uso para entretenimento atinge 74% e a geração de mídias (fotos, vídeos, músicas) por 72%. Esse perfil de comportamento alinha-se à rápida evolução das IAs generativas, com mais de 80% dos entrevistados expressando o desejo de aprofundar seus conhecimentos sobre as funcionalidades da tecnologia, enxergando a IA como uma parceira prática para o dia a dia.

Jovens Brasileiros e a IA: O Futuro da Geração Conectada

A IA não se restringe aos adultos. O estudo TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br, revela que cerca de 65% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos já incorporaram a IA em suas rotinas. A interação aumenta com a idade, sendo mais intensa no grupo de 15 a 17 anos. A principal aplicação para este público é a realização de pesquisas escolares ou estudos (59%). Os jovens também recorrem à IA para buscar informações (42%) e criar conteúdos (21%). Um dado que merece atenção é que 10% utilizam a IA para conversar sobre problemas pessoais ou emoções, o que sublinha a necessidade de acompanhamento de pais e responsáveis para mitigar riscos de dependência emocional e intelectual.

Os dados dessas pesquisas pintam um quadro claro da adoção da IA no Brasil, com seus avanços e desafios. Por um lado, há uma integração prática e diversificada da IA no trabalho, aprendizado e vida pessoal, impulsionando a produtividade e o acesso ao conhecimento. Por outro, as desigualdades estruturais, tanto econômicas quanto educacionais, emergem como um ponto crítico, alertando que a tecnologia pode, se não houver intervenção, aprofundar as distâncias sociais. A questão central, portanto, não é mais se os brasileiros vão aderir à IA, mas sim como garantir que seus impactos positivos sejam distribuídos de forma equitativa por toda a população.

Fonte: canaltech.com.br

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