Quando o assunto é poluição veicular, a imagem que frequentemente vem à mente é a de uma picape a diesel expelindo fumaça escura. Contudo, essa percepção está longe de refletir a realidade atual do Brasil, especialmente em 2026. Segundo dados oficiais do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro, levantados pelo Auto Papo, os carros mais poluentes do país são, surpreendentemente, os populares modelos flex, e não os utilitários movidos a diesel.
O levantamento revela um cenário inesperado: os veículos flex, presentes em grande parte da frota nacional, são os que mais contribuem com a emissão de poluentes locais, impactando diretamente a qualidade do ar nas cidades.
A Metodologia por Trás do Ranking
Para determinar o ranking dos carros mais poluentes, a metodologia do Inmetro considerou três categorias de poluentes: gases orgânicos não metano (NMOG), óxidos de nitrogênio (NOx) e monóxido de carbono (CO). A soma desses elementos, analisada na versão mais poluente de cada modelo, definiu a classificação. Veículos elétricos foram excluídos, uma vez que não possuem emissões diretas pelo escapamento.
O resultado do estudo chocou especialistas, pois apontou que motores flex, especialmente durante partidas a frio e acelerações, liberam grandes quantidades de monóxido de carbono, um gás incolor e inodoro.
Por Que Motores Flex Emitem Mais CO?
A explicação para a maior emissão de CO por veículos flex reside na forma como seus motores operam. Motores a diesel trabalham com uma “mistura pobre”, ou seja, excesso de ar, o que naturalmente reduz a formação de monóxido de carbono. Em contrapartida, motores a gasolina e flex operam próximos da mistura estequiométrica e, sob certas condições, queimam com menos oxigênio, resultando em uma combustão incompleta e, consequentemente, altos índices de CO. Isso explica por que picapes a diesel apresentam valores baixos de CO, embora sejam mais críticas em relação a NOx e material particulado.
Os Riscos dos Poluentes Locais
Apesar de todos os modelos listados estarem dentro dos limites legais estabelecidos pelas fases L7 e L8 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), os números são um alerta. O monóxido de carbono (CO) é um gás perigoso que, ao ser inalado, reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio, podendo ser letal em ambientes fechados.
Já os gases orgânicos não metano (NMOG) e os óxidos de nitrogênio (NOx) são precursores do ozônio troposférico, um poluente secundário responsável por desencadear problemas respiratórios em humanos e causar danos à vegetação. É importante ressaltar que este ranking foca na qualidade do ar nas cidades, tratando de poluentes locais, e não considera o dióxido de carbono (CO₂), principal gás de efeito estufa, que é medido em outra escala e está associado ao aquecimento global. A revelação do Inmetro sublinha a importância de reavaliar o impacto ambiental de veículos populares e suas emissões diretas na saúde pública e no meio ambiente urbano.
Fonte: canaltech.com.br
