A relação entre videogames e animes é uma via de mão dupla consolidada há décadas. Se por um lado temos inúmeros jogos baseados em séries animadas populares, como Dragon Ball, o caminho inverso também é bastante comum. O exemplo mais famoso é Pokémon, que nasceu nos games e rapidamente se tornou um fenômeno mundial na TV. No entanto, há um vasto universo de jogos japoneses que, apesar de possuírem todas as características para uma adaptação de sucesso, continuam à espera de sua chance nas telas.
Com narrativas complexas, personagens carismáticos, mundos imersivos e estilos visuais que flertam diretamente com a animação, muitos desses títulos parecem ter sido feitos sob medida para virar anime. Pensando nisso, o Canaltech reuniu 8 jogos japoneses com forte apelo visual e narrativo que ainda não receberam (ou merecem novas) adaptações.
Clássicos da Nintendo e Capcom que imploram por um anime
Começando com a Nintendo, 8. Xenoblade é uma das IPs mais recentes e bem-sucedidas da Big N, com o terceiro jogo da franquia até indicado a Jogo do Ano no The Game Awards 2022. A série de RPG é um prato cheio para adaptações em anime, graças ao seu world building denso, conteúdo vasto, reviravoltas dramáticas e uma trama complexa e trágica que prenderia qualquer espectador.
Ainda no universo Nintendo, 7. Fire Emblem, com mais de três décadas de história, oferece um tesouro de narrativas. Seus RPGs táticos são repletos de personagens cativantes e exploram temas como heróis jovens, dragões, reinos e guerras. Títulos como Three Houses abordam estruturas políticas intrincadas, enquanto outros focam em grandes conflitos, abrindo um leque de opções para uma adaptação séria e madura.
Já no lado da Capcom, 6. Okami, que recentemente anunciou uma sequência no The Game Awards 2024, brilha por seu estilo artístico único. A mistura de cel-shading e pintura à aguada oriental de tinta nanquim seria um espetáculo visual em um filme de anime. A trama folclórica e os personagens marcantes do clássico de PS2 têm um potencial imenso para encantar o público.
Fantasias Sombrias e Ação Intensa para as Telas
Em um gênero mais sombrio, 5. Code Vein da Bandai Namco parece ter sido desenhado para ser um anime. Sua estética, personagens e design de cenários já remetem a uma animação japonesa. O soulslike pós-apocalíptico, com sua atmosfera de mistério e fantasia sombria, encaixaria perfeitamente em uma produção adulta e séria, com o desafio de traduzir sua ação e combate para o formato animado.
Seguindo a linha dos metroidvanias, 4. Bloodstained: Ritual of the Night, criado por Koji Igarashi (de Castlevania: Symphony of the Night), tem tudo para ser uma adaptação fantástica. A protagonista Miriam, uma humana fundida a cristais demoníacos, é uma personagem complexa e cheia de camadas, ideal para ser explorada em uma animação que poderia seguir os passos de sucesso de Castlevania.
O Legado dos RPGs Japoneses e Novas Narrativas
A Atlus é conhecida por suas adaptações, e 3. Metaphor ReFantazio não seria exceção. Este JRPG, um dos mais aclamados de 2024, apresenta Will, um protagonista arquétipo de underdog, renegado por sua ligação com magia proibida. O jogo oferece uma construção de mundo vibrante, com grupos, tribos e instituições ficcionais, além de temas filosóficos e sociais ricos para uma série animada.
Da Square Enix, 2. Chrono Cross, sucessor do icônico Chrono Trigger, apesar de menos aclamado, trouxe um sistema de batalha inovador e uma história profunda. Sua trama de universos paralelos e múltiplas ramificações, com mais de 40 personagens jogáveis, seria um desafio, mas o estilo e direção já próximos da animação japonesa, junto aos conflitos emocionais e viagens dimensionais, prometem uma grande história.
A Maestria de Hironobu Sakaguchi em Formato Animado
Por fim, das mãos do criador de Final Fantasy, Hironobu Sakaguchi, e com a lendária trilha sonora de Nobuo Uematsu, 1. Fantasian NEO Dimension funcionaria primorosamente como um anime. Os elementos de exploração em grupo do RPG da Mistwalker (o mesmo estúdio de Blue Dragon, que já virou anime com Uematsu) se encaixariam perfeitamente em uma animação focada na aventura e camaradagem.
Esses 8 jogos representam apenas uma fração do potencial inexplorado dos games japoneses no mundo do anime. Com histórias ricas, personagens memoráveis e visuais deslumbrantes, é apenas uma questão de tempo (e talvez de vontade dos estúdios) para que muitos deles finalmente ganhem a adaptação que merecem.
Fonte: canaltech.com.br
