Sanções a Cuba em foco
A cúpula do BRICS, realizada em Nova Délhi, na Índia, aprovou um comunicado oficial que expressa profunda preocupação com o endurecimento do bloqueio econômico contra Cuba. Os países membros, incluindo Brasil, China e Rússia, consideram que as sanções unilaterais, especialmente as restrições à venda de petróleo, geram severos impactos negativos na economia cubana e em seu abastecimento de energia. O Brasil teve um papel ativo na inclusão deste tema, argumentando que a situação humanitária na ilha se agrava, afetando desproporcionalmente a população.
Preocupação com o Oriente Médio
O bloco também manifestou grande apreensão com a escalada das tensões no Oriente Médio, pedindo contenção de todas as partes envolvidas para evitar o agravamento dos conflitos. Embora não nomeiem diretamente os atores, as críticas foram interpretadas como um recado à atuação militar dos Estados Unidos e de Israel. O comunicado reforça a necessidade de respeito à integridade territorial e condena ataques deliberados contra infraestruturas civis e instalações nucleares pacíficas durante confrontos armados.
Reforma de órgãos internacionais
A reforma do Conselho de Segurança da ONU foi um dos pontos centrais defendidos por potências como Índia e Rússia. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ressaltou a necessidade de maior representatividade para países em desenvolvimento nas decisões globais. Vladimir Putin, presidente russo, apoiou a ampliação do conselho para incluir mais países da Ásia, África e América Latina, buscando tornar o órgão mais eficaz e combater o que chamou de “resistência colonial” de algumas nações.
Estratégia de um mundo multipolar
A estratégia principal do BRICS, impulsionada especialmente por China e Rússia, é a construção de uma alternativa que reduza a predominância ocidental, com foco nos Estados Unidos. O bloco busca consolidar um mundo multipolar, onde o poder de decisão seja compartilhado entre economias emergentes. O comunicado final enfatizou a importância de manter o fluxo livre do comércio global e a segurança das cadeias de suprimentos, evitando que sanções econômicas sejam usadas como ferramenta para conter a ascensão de novos concorrentes internacionais.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
