Cuba aprova maior pacote de reformas econômicas em 15 anos sob pressão dos EUA e crise interna
Medidas visam reaquecer a economia, ampliar o setor privado e atrair investimentos, em resposta a severa crise energética e sanções americanas.
Diante de uma grave crise econômica e energética, agravada pela pressão do governo dos Estados Unidos, o regime comunista de Cuba anunciou o maior pacote de reformas econômicas dos últimos 15 anos. As 176 medidas, aprovadas em tempo recorde pelo Comitê Central do Partido Comunista e ratificadas pela Assembleia Nacional, representam uma tentativa significativa de transformar a ilha, buscando corrigir distorções e modernizar a economia.
Ampliação do setor privado e atração de investimentos estrangeiros
O pacote de reformas inclui a expansão do papel do setor privado, com incentivos para o investimento estrangeiro em diversos setores. Empresas estatais e municípios também terão maior autonomia, em um esforço para dinamizar a economia. As mudanças abrangem áreas cruciais como turismo, agricultura, comércio exterior e o mercado imobiliário, setores que têm sofrido com a escassez e as restrições.
Crise energética e o discurso de Díaz-Canel
Em discurso no Parlamento, o ditador Miguel Díaz-Canel admitiu a gravidade da situação, descrevendo o momento como “as horas mais difíceis deste século”. A crise energética atingiu níveis alarmantes, com algumas regiões recebendo apenas duas horas de eletricidade a cada três dias. A pressão dos Estados Unidos, que intensificaram sanções e restringiram o fornecimento de petróleo, é apontada como um fator crucial no agravamento da escassez de combustível e dos apagões.
Reforma monetária e tributária
As reformas buscam também corrigir as distorções do sistema monetário cubano, marcado pela existência de duas moedas, múltiplas taxas de câmbio oficiais e um forte mercado informal. O pacote prevê alterações no sistema tributário e a substituição gradual de subsídios universais por programas mais direcionados à população vulnerável, visando uma alocação mais eficiente dos recursos.
Soberania e especialistas externos
Apesar da pressão externa, Díaz-Canel declarou que as reformas são uma decisão “soberana” de Cuba para enfrentar seus problemas internos. No entanto, o regime criou um grupo de especialistas, incluindo economistas críticos ao governo, para estudar e implementar novas mudanças econômicas nos próximos meses, indicando uma abertura para diferentes perspectivas na busca por soluções.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
