Cuba anuncia indulto massivo, mas ONGs afirmam que nenhum preso político foi libertado

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Ditadura cubana anuncia maior indulto em uma década, mas omite critérios e lista de beneficiados.

A ditadura cubana anunciou na quinta-feira (2) a libertação antecipada de mais de 2 mil presos, o maior indulto concedido pelo regime em mais de uma década. A medida foi apresentada como um “gesto humanitário e soberano”, ocorrido “no contexto das celebrações religiosas da Semana Santa”. No entanto, a falta de transparência sobre os critérios e a lista de beneficiados levanta dúvidas sobre a real dimensão humanitária da ação.

Presos políticos excluídos e número de detidos políticos em alta.

O principal ponto de controvérsia é a exclusão de presos por “crimes contra a autoridade”, categoria frequentemente utilizada para reprimir opositores. Horas após o início das solturas, a ONG Cubalex informou que não foi possível confirmar a libertação de nenhum preso político. Javier Larrondo, presidente da ONG Prisoners Defenders, destacou que o número de detidos por motivos políticos em Cuba permanece em níveis recordes, com estimativas internacionais apontando para mais de 1,2 mil detidos.

Uso da religião como ferramenta política e negociações com os EUA.

Críticos apontam o uso do calendário religioso como uma estratégia política da ditadura, que por décadas perseguiu a Igreja. O indulto coincide com um momento de negociações entre Cuba e os Estados Unidos, após o alívio do bloqueio de petróleo imposto à ilha. Segundo o The New York Times, os EUA sinalizaram que o ditador Miguel Díaz-Canel deve sair do poder, o que sugere que a libertação de presos seria um gesto calculado para reduzir a pressão externa sem ceder controle.

Contradição entre imagem internacional e realidade interna.

Enquanto o regime busca melhorar sua imagem externa com gestos como o indulto e o uso de datas religiosas, a realidade dentro de Cuba segue marcada por apagões, escassez de alimentos e repressão. No mesmo dia do anúncio do indulto, Díaz-Canel participou de uma manifestação juvenil anti-imperialista em Havana, onde jovens exibiam imagens de Che Guevara e entoavam gritos contra os EUA. O episódio evidencia a contradição entre a imagem de diálogo que a ditadura tenta projetar internacionalmente e a mensagem de defesa da revolução e culpar o capitalismo transmitida internamente.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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