Preços da Memória RAM Disparam Pela Demanda de IA
O mercado de memória RAM, especialmente a DDR5, tem enfrentado uma escalada de preços sem precedentes desde o final do ano passado. Impulsionado pela crescente demanda por inteligência artificial (IA), os valores explodiram, chegando a patamares considerados absurdos. Embora tenha havido uma recente estabilização, a Lexar, uma das principais fabricantes do setor, alerta que essa calmaria é temporária e os preços podem dobrar novamente até o final de 2026.
A empresa explica que a atual estabilização se deve a uma tentativa dos varejistas de escoar o estoque existente antes de um novo e iminente reajuste. Segundo a Lexar, a defasagem entre a mudança nos preços de produção e o impacto no consumidor final é de cerca de oito a nove meses, o que significa que o pior da crise ainda está por vir. “Ninguém tem uma bola de cristal. Ninguém consegue prever o que vai acontecer”, afirmou um representante da Lexar ao Tom’s Guide, ressaltando que o objetivo é “manter a competitividade independentemente dos preços”.
Lexar Vislumbra Solução Inovadora com SSDs
Diante desse cenário imprevisível e preocupante, a Lexar já está investindo em pesquisas para mitigar os efeitos da crise. A grande aposta da empresa é uma tecnologia que permitiria usar chips de SSD (NAND) para assumir parte das funções da memória RAM, reduzindo a dependência da DRAM em até 40%. Essa “solução de armazenamento por IA” direcionaria uma parcela das tarefas para o chip de armazenamento, aliviando a carga sobre a RAM.
A iniciativa é estratégica, considerando que a produção de DRAM é aproximadamente seis vezes mais cara do que a de NAND. Essa diferença de custo torna a proposta da Lexar uma alternativa promissora para contornar os altos valores da RAM, que atualmente estão mais de três vezes acima dos níveis pré-crise.
Impacto da Crise e Perspectivas Futuras
O encarecimento da RAM já gerou um efeito cascata em 2026. Com a memória custando uma fortuna, as vendas globais de componentes essenciais para PCs, como processadores e placas de vídeo, despencaram. Consumidores desistiram de montar novos computadores, e o mercado de placas-mãe, por exemplo, encolheu mais de 25%.
Para o consumidor, o alívio não deve chegar tão cedo. A AMD projeta que os preços da memória DDR5 não devem cair antes de 2028. No cenário brasileiro, a ADATA, marca com forte presença no país, é ainda mais pessimista, afirmando que a crise “não vai melhorar” e as memórias continuarão caras, reforçando a urgência de soluções como a proposta pela Lexar.
Fonte: canaltech.com.br
