Coreia do Norte silencia sobre Irã para seduzir Trump: A estratégia de Kim Jong-un para reabrir diálogo diplomático

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Silêncio Estratégico em Meio ao Conflito no Oriente Médio

Diferentemente do esperado por observadores internacionais, a Coreia do Norte manteve uma postura contida diante do recente conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O regime de Kim Jong-un evitou o envio de armas e condolências ao aliado iraniano, uma decisão que, segundo analistas, visa criar espaço para a reabertura de canais de diálogo diplomático com o presidente Donald Trump. Mesmo com a cooperação histórica entre Pyongyang e Teerã, o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano emitiu apenas comunicados protocolares criticando a agressão dos EUA e Israel, sem mencionar diretamente Donald Trump, e permaneceu em silêncio absoluto desde meados de março.

Aposta em Trump: A Busca por Benefícios para o Regime

A inteligência da Coreia do Sul aponta que essa contenção é uma estratégia deliberada de Kim Jong-un. O líder norte-coreano estaria de olho em uma possível retomada das negociações com Donald Trump, especialmente com a cúpula prevista entre o líder chinês Xi Jinping e o presidente americano em maio. Acredita-se que Kim tenha calculado cuidadosamente suas declarações e ações para manter abertas as portas para negociações que possam trazer benefícios estratégicos e econômicos para o seu regime.

Parceria Militar Persiste, Apesar do Silêncio

Apesar da atual discrição, a cooperação militar entre Coreia do Norte e Irã é profunda e antiga. Especialistas identificam a “impressão digital” de Pyongyang em mísseis iranianos de curto e médio alcance, baseados em projetos norte-coreanos. Além da transferência de tecnologia, a Coreia do Norte teria auxiliado na construção de fábricas e no treinamento de forças iranianas ao longo das últimas décadas, demonstrando uma parceria militar robusta que transcende o contexto atual.

Impacto Econômico e Lições da Guerra

A instabilidade global decorrente do conflito no Oriente Médio também afetou a economia norte-coreana. A China, principal parceira comercial do país, reduziu o fornecimento de petróleo devido à alta dos preços e à instabilidade na região, resultando em aumentos significativos nos preços da gasolina e do diesel em março. Esse cenário impactou também o preço de alimentos como o milho e o mercado negro de dólares, dificultando a vida da população de baixa renda e afetando as cadeias de suprimentos industriais. O conflito serviu também como um “laboratório” para Kim Jong-un, reforçando a percepção da importância de seu arsenal nuclear para a sobrevivência do regime. Em resposta, a Coreia do Norte intensificou testes com mísseis balísticos intercontinentais e desenvolveu novas armas, aprendendo lições operacionais observadas tanto na guerra da Ucrânia quanto nos ataques recentes no Irã.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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