CPSI: Um Novo Marco para a Inovação no Setor Público
O Brasil celebra um marco importante na inovação governamental: 293 Contratos Públicos para Solução Inovadora (CPSIs) foram celebrados nos primeiros cinco anos do Marco Legal de Startups. Essa modalidade especial de licitação permite que o poder público adquira soluções tecnológicas ainda inexistentes ou que necessitam de desenvolvimento, atendendo a demandas específicas. O levantamento, divulgado pelo Observatório do CPSI 2026, coordenado pela Procuradoria do Estado de São Paulo, demonstrou um crescimento notável, saltando de 265 para 293 contratos entre 2025 e junho de 2026.
Expansão e Reconhecimento do Instrumento
Rafael Fassio, procurador do estado de São Paulo e coordenador da pesquisa, expressa otimismo com os resultados. Ele aponta que o CPSI tem ganhado visibilidade à medida que mais órgãos o utilizam. A adoção por um município ou pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por exemplo, inspira outros, gerando um efeito cascata. Programas como o CatalisaGOV, do Sebrae, também desempenham um papel crucial ao conectar o mercado de startups com as necessidades do setor público, utilizando metodologias específicas para CPSI.
Oportunidades e Desafios para Fornecedores
O mapeamento identificou que 248 fornecedores distintos foram contratados por meio dos CPSIs. A maioria (83,9%) celebrou apenas um contrato, indicando que o CPSI ainda é uma porta de entrada para muitas startups no mercado governamental. O valor médio por contrato gira em torno de R$ 807,7 mil, com um tempo médio de 228,84 dias entre a publicação do edital e a assinatura do contrato. Dario Joffily, gestor nacional do CatalisaGov, reconhece que o CPSI ainda apresenta desafios para ambos os lados, mas destaca a consolidação de aprendizados e a perspectiva de ampliação desse mercado. As áreas com maior demanda por soluções inovadoras incluem Gestão Administrativa, Processos Internos e Governança, Óleo, Gás e Indústria Extrativa, e Energia Elétrica e Transição Energética.
Lições de Quem Já Inovou com o Poder Público
Startups que já atuam com CPSI compartilham suas experiências. A Allsee, que fornece soluções de georreferenciamento para o TCU, destaca o avanço no nível federal e em alguns estados, mas aponta a lentidão nos municípios, que ainda optam por métodos tradicionais por receio. A empresa aconselha que o CPSI seja visto como uma das alternativas de contratação. Já a Scipopulis, especializada em dados para cidades inteligentes, obteve sucesso com uma solução para redução de acidentes de trânsito em Recife, diminuindo a sinistralidade em quase 38%. Essas experiências demonstram o potencial transformador do CPSI, apesar dos desafios ainda presentes na jornada de adoção.
Fonte: agenciasebrae.com.br
