Christopher Nolan, Xuxa e He-Man: A Nostalgia Como Doença e o Medo do Presente

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    A Nostalgia: De Doença a Refúgio Cultural

    O que conecta um filme criticado do He-Man, um possível retorno de Macaulay Culkin como Kevin em “Esqueceram de Mim” e a mais recente obra de Christopher Nolan, “Oppenheimer”? Para o cronista, a resposta reside na nostalgia, um sentimento complexo que, longe de ser apenas uma lembrança afetuosa da infância, pode ser interpretado como uma doença ou um refúgio diante de um presente incerto.

    A palavra “nostalgia”, criada no século XVII pelo médico suíço Johannes Hofer, não se referia a um sentimento agradável. Originalmente, era um diagnóstico para descrever uma enfermidade que acometia soldados mercenários, que sentiam uma profunda dor e incapacidade de funcionar longe de casa. Hofer combinou as palavras gregas “nostos” (retorno) e “algos” (dor) para descrever essa condição de “gente fora do lugar”.

    Nolan e a “Nostalgia” do Retorno Impossível

    É nesse contexto que o filme “Oppenheimer” de Christopher Nolan é analisado. O autor sugere que a obra de Nolan, ao retratar Ulisses não como um herói em busca de retorno (nostos), mas sim imerso em culpa e trauma, cria uma narrativa de “nostalgia” no sentido original da doença. A comparação com a bomba atômica, elemento central em “Oppenheimer”, eleva essa culpa a um patamar civilizacional, revelando um profundo temor do diretor com o presente e uma profecia de futuro sombrio.

    Ítaca, Eternia e a Casa dos McCallister: Mapas para um Tempo Deslocado

    Em contrapartida, a experiência de assistir a um filme do He-Man, ou a ideia de um novo “Esqueceram de Mim”, e até mesmo os shows de Xuxa, são vistos como tentativas de buscar conforto em “endereços” conhecidos. São referências a tempos passados que ainda possuem um “mapa” claro, em contraste com a incerteza do presente. Essa “nostalgia comezinha”, como descrita, difere da megalomania de Nolan, mas compartilha a mesma raiz: um deslocamento no tempo em que se vive.

    A Nostalgia Como Reflexo de um Presente Desafiador

    A análise sugere que, enquanto a nostalgia original era sobre estar fisicamente deslocado e desejar o retorno a um lugar específico, a nostalgia contemporânea, tanto a do cinema de Nolan quanto a do público em geral, é sobre estar deslocado no tempo. A busca por personagens e histórias do passado, sejam eles heróis de guerra, crianças travessas ou apresentadoras infantis, reflete uma dificuldade em navegar o presente e uma ânsia por refúgios seguros em um mundo em constante e imprevisível mudança.

    Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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