Christopher Nolan é criticado por escalação de Lupita Nyong’o como Helena de Troia em ‘A Odisseia’ e defensores são acusados de distorcer história grega

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    Polêmica na escalação de Helena de Troia

    A confirmação de Lupita Nyong’o como Helena de Troia e Clitemnestra no novo filme “A Odisseia”, dirigido por Christopher Nolan, gerou intensa repercussão na internet. A decisão de escalar uma atriz negra para interpretar personagens historicamente retratadas como brancas tem sido vista por críticos como uma tentativa de “sinalização de virtude” e busca por pontos no Oscar, em detrimento da fidelidade histórica e cultural.

    Trailers do filme já acumulam um número expressivo de ‘dislikes’, indicando a insatisfação de parte do público com as alterações propostas por Nolan em relação ao clássico de Homero. A representação de Helena de Troia, em textos antigos, iconografia grega, romana e medieval, sempre a descreveu como uma mulher grega de pele clara e cabelos claros. A mudança para uma atriz afrodescendente intensificou o debate sobre a abordagem do diretor.

    Defesa baseada em supostas raízes negras da Grécia Antiga

    Em meio à controvérsia, alguns defensores de Nolan tentaram justificar a escolha de Nyong’o argumentando que, para os gregos antigos, seria natural uma Helena negra. Essa argumentação sugere que os gregos admiravam pessoas negras, que seus deuses eram negros e que a própria Grécia possuía uma identidade racial negra. Essas alegações, no entanto, têm sido fortemente contestadas.

    Análise aprofundada desmente versões sobre a etnia grega

    O professor Thiago Braga, criador dos canais “Brasão de Armas” e “Impérios AD”, apresentou em seus vídeos uma análise detalhada de fontes primárias gregas, iconografia e estudos especializados, incluindo análise de DNA de gregos antigos. Segundo Braga, essas evidências científicas e históricas refutam a ideia de que a Grécia Antiga ou seus heróis possuíam traços predominantemente negros.

    “É um abuso um moleque em pleno século XXI dizer que a Odisseia é ficção, se ela não foi criada para ser uma ficção, e se ela é uma ficção ‘pode ser retratada como o artista quiser’. Errado!”, afirma Braga, argumentando que, mesmo sendo uma obra de ficção, a Odisseia carrega um peso cultural e histórico que deve ser respeitado. Ele questiona a lógica de alterar etnias em obras milenares, comparando a situação com a possibilidade de escalarem uma atriz branca para interpretar Mami Wata, uma figura importante da mitologia africana.

    Respeito à obra original e suas representações

    Braga defende que, ao adaptar uma obra de tamanha relevância histórica e cultural como a Odisseia, é fundamental manter a coerência com as representações e descrições originais. Ele aponta que, se a obra fosse tão flexível a ponto de permitir qualquer alteração, sua essência e características básicas não teriam sido preservadas ao longo dos milênios. A consistência na representação de Helena de Troia como “de braços brancos” em textos e artes ao longo da história, segundo o professor, demonstra um respeito prévio dos criadores e artistas pela obra e seu contexto cultural, algo que, em sua visão, está sendo negligenciado na produção de Nolan.

    Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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