Chevrolet Volt: Por que o pioneiro dos carros elétricos da GM, com tecnologia EREV, não vingou no Brasil e saiu de linha?

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Chevrolet Volt: Por que o pioneiro dos carros elétricos da GM, com tecnologia EREV, não vingou no Brasil e saiu de linha?

Conheça a história do sedan que tentou unir o melhor dos dois mundos, mas esbarrou no alto custo e na falta de infraestrutura, antecipando tendências que só agora ganham força no mercado automotivo.

Enquanto muitos associam a popularização dos carros eletrificados no Brasil a modelos recentes, a Chevrolet já trilhava esse caminho anos antes com uma aposta ousada: o Chevrolet Volt. Lançado mundialmente em 2010 e chegando ao Brasil em 2011, o Volt foi um verdadeiro pioneiro, buscando resolver uma das maiores preocupações dos consumidores de elétricos: a autonomia. Contudo, apesar de sua tecnologia inovadora e diversos prêmios internacionais, sua passagem pelo mercado brasileiro foi discreta, e o modelo acabou saindo de linha antes mesmo da explosão dos carros eletrificados que vemos hoje.

O que era o Chevrolet Volt e sua tecnologia inovadora?

O Volt se destacava por sua arquitetura EREV (Extended Range Electric Vehicle), ou veículo elétrico de autonomia estendida. Diferente dos híbridos tradicionais, sua proposta principal era oferecer a experiência de dirigir um carro elétrico, com um motor 1.4 a gasolina atuando primariamente como gerador de energia, e não diretamente para tracionar as rodas na maior parte do tempo. O conjunto mecânico incluía um motor elétrico de 151 cv e uma bateria de íons de lítio de 16 kWh, garantindo uma autonomia de cerca de 80 quilômetros utilizando apenas eletricidade em condições ideais. Quando a carga da bateria diminuía, o motor a gasolina entrava em ação, ampliando significativamente a autonomia total sem depender exclusivamente de pontos de recarga.

O alto preço no Brasil e o pacote de equipamentos

A inovação, entretanto, veio acompanhada de um preço elevado. Quando o Chevrolet Volt chegou às concessionárias brasileiras em outubro de 2011, ele era comercializado por R$ 220 mil. Para contextualizar, em um ano em que o salário mínimo era de R$ 545, o carro custava o equivalente a cerca de 404 salários mínimos, tornando-o inacessível para a vasta maioria dos consumidores. Apesar do custo, o Volt oferecia um pacote de equipamentos bastante completo para a época, incluindo central multimídia com tela sensível ao toque, bancos revestidos em couro, ar-condicionado digital, câmera de ré, seis airbags, controles eletrônicos de estabilidade e tração, e um painel totalmente digital focado em informar o motorista sobre o funcionamento do sistema elétrico.

Por que o pioneiro saiu de cena?

Apesar de ter sido aclamado pela imprensa especializada e conquistado prêmios importantes como Carro do Ano na América do Norte e Carro Europeu do Ano (em sua versão Opel Ampera), o Chevrolet Volt enfrentou dificuldades comerciais globais, com o alto preço sendo um dos principais entraves para um volume de vendas expressivo. Diante disso, a General Motors decidiu encerrar a produção mundial do modelo em fevereiro de 2019, redirecionando seus investimentos para uma nova geração de carros totalmente elétricos, baseada na plataforma Ultium, que hoje impulsiona modelos como o Blazer EV e o Equinox EV.

De certa forma, o Volt cumpriu seu papel como um laboratório tecnológico para a marca. A arquitetura EREV que ele ajudou a popularizar, e que muitos consideravam avançada demais para sua época, voltou a ganhar força no mercado mundial, especialmente entre fabricantes chineses, provando que, às vezes, uma ideia brilhante apenas precisa esperar o momento certo para se consolidar.

Fonte: canaltech.com.br

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