Cardeal Chomali Critica Lei e Médicos que Realizam Abortos
O cardeal Fernando Chomali, arcebispo de Santiago e primaz do Chile, manifestou forte oposição ao projeto de lei “Escute Seu Coração”, que tramita no país. A proposta visa tornar obrigatório que médicos informem pacientes sobre a atividade cardíaca do feto e ofereçam a oportunidade de ouvir os batimentos antes de um aborto, mesmo nos casos já permitidos por lei no Chile (estupro, risco de vida para a mãe ou malformações graves do feto).
Desabafo Contra o Aborto e o Papel dos Profissionais de Saúde
Em entrevista ao jornal chileno La Tercera, Chomali declarou sentir “dor” por médicos que concordam em realizar abortos. “Dói-me ter sido uma fonte de divisão a esse respeito”, lamentou o cardeal, referindo-se a um tuíte anterior onde sugeriu que toda mãe deveria se alegrar ao ouvir um batimento cardíaco. Ele reitera sua posição contrária ao aborto em qualquer circunstância, argumentando que mesmo nas três situações previstas em lei, a vida não deveria ser interrompida.
Apoio às Mulheres e o Juramento Médico
Chomali defende que, em casos de gravidez em circunstâncias difíceis como estupro ou risco de vida, o foco deveria ser o apoio integral às mulheres. “Quando há apoio médico, psicológico, espiritual e financeiro, as mulheres se sentem mais amparadas e decidem contra [o aborto]”, afirmou. Para o cardeal, a escuta do batimento cardíaco seria mais relevante para um médico “comprometido em curar, tratar e cuidar da vida”, em vez de ser oferecida a uma paciente em situação complexa. Ele lembrou o juramento médico de “fazer tudo o possível para curar e nunca causar dano”, argumentando que no aborto, “objetivamente, alguém está sendo prejudicado: um ser humano”.
Apelo por Revisão e Defesa da Verdade
O cardeal pede uma revisão das leis atuais, considerando que “as leis podem ser melhoradas”. Ele resumiu sua posição: “Se você olhar o quadro geral, uma vida humana está sendo eliminada”. Chomali declarou que prefere ficar “sozinho do que trair algo tão fundamental quanto a verdade: que existe um ser humano inocente que merece todo o cuidado possível”. Falando à Rádio Duna, ele classificou o projeto de lei como “uma questão que deve ser tratada com grande prudência, tato e bom senso” no Legislativo, e que tornar a escuta dos batimentos cardíacos obrigatória “seria uma questão para discussão”. Ele também aconselhou contra o uso de linguagem polarizadora, enfatizando que “o que importa é a verdade”.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
