Brasil na Mira de Sanções Americanas por Compra de Petróleo Russo
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos se prepara para votar um projeto de lei que pode impor tarifas de até 100% a países que seguem como grandes compradores de petróleo e gás russos. A proposta, que já recebeu o aval do Senado, visa pressionar economicamente a Rússia e pode afetar diretamente o Brasil, que figura entre os principais destinos dos derivados de petróleo comercializados por Moscou.
Detalhamento da Proposta e Articulação Política
O projeto, intitulado “Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026”, foi nomeado em homenagem ao falecido senador republicano Lindsey Graham, um forte aliado do ex-presidente Donald Trump. Graham defendia a legislação como uma ferramenta para que Trump pudesse pressionar nações que, segundo ele, financiavam Moscou através da compra de energia russa. Em janeiro, o senador citou explicitamente Brasil, China e Índia como grandes compradores de energia russa, sugerindo que a lei daria a Trump maior poder de barganha para que interrompessem essas aquisições.
Como Funcionariam as Tarifas e Quem Seria Afetado
A versão aprovada pelo Senado, que passou com 86 votos a favor e 11 contra, prevê a imposição de uma tarifa adicional de até 100% sobre todos os produtos exportados para os Estados Unidos por países que se enquadrem nos critérios. Inicialmente, a legislação abrangeria os cinco maiores importadores de petróleo cru ou gás natural russo nos 12 meses anteriores à sua entrada em vigor. Além disso, seriam alvo os cinco países que mais facilitarem a evasão das sanções americanas contra o petróleo russo. A identificação desses países ficaria a cargo do representante comercial dos EUA, em consulta com os departamentos do Tesouro, Estado e Energia. As tarifas, que poderiam variar de mais de zero a 100%, seriam cobradas além de outras já existentes.
Posição do Brasil e Apoio da Casa Branca
Dados recentes do think tank Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) indicam que o Brasil foi responsável por aproximadamente 11% das compras de derivados de petróleo russos desde dezembro de 2022, posicionando-se em terceiro lugar, atrás de Turquia (26%) e China (12%). A Casa Branca já manifestou apoio à versão aprovada pelo Senado, com o governo Trump afirmando que a legislação ampliaria os instrumentos para pressionar Moscou e aumentar os custos para aqueles que continuam negociando com entidades russas. Caso o projeto chegue à mesa do presidente, seus assessores recomendariam a sanção. O texto também autoriza tarifas de até 500% sobre produtos importados diretamente da Rússia e novas sanções contra autoridades e instituições financeiras ligadas ao governo russo.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
