Cúpula em Nova Délhi consolida posições críticas do bloco contra políticas ocidentais.
A cúpula dos Brics, realizada em Nova Délhi, na Índia, culminou na aprovação de um comunicado com contundentes críticas às sanções econômicas unilaterais, ao embargo imposto a Cuba e às ações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. O documento, que reflete um consenso mínimo entre os 11 integrantes do bloco – incluindo países como Brasil, Rússia, China e Irã –, condena a adoção de “medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional”, que, segundo o texto, afetam desproporcionalmente as populações mais vulneráveis e agravam desafios globais.
Oriente Médio e a Busca por Estabilidade Regional
Em relação à instabilidade no Oriente Médio, os países membros expressaram “profunda preocupação com a contínua escalada das tensões” e defenderam a “máxima contenção”, alertando para a necessidade de evitar ações que possam agravar o conflito. O comunicado também enfatiza a proteção de civis e infraestruturas, além do respeito à soberania e integridade territorial, um ponto que gera contradição devido à inclusão da Rússia, país que invadiu a Ucrânia. A proteção do fluxo comercial global e das cadeias de suprimentos e energia, em conformidade com o direito internacional, também foi destacada.
Sanções contra Cuba e o Compromisso com a América Latina
O documento manifesta preocupação com a situação de Cuba, criticando o endurecimento das medidas de bloqueio e seu impacto humanitário e econômico na ilha. O embargo dos EUA à venda de petróleo para Cuba foi mencionado como um ponto de atenção, embora sem citar nominalmente os responsáveis. Os Brics reafirmaram o compromisso com a América Latina e o Caribe como uma “zona de paz”, pautada no respeito mútuo e na solução pacífica de controvérsias. O Brasil desempenhou um papel ativo nas negociações para incluir a situação cubana no comunicado, ressaltando a crise energética como um problema humanitário crescente.
Reforma da ONU e a Visão de um Mundo Multipolar
A reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas foi outro tema central na cúpula. Líderes como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente russo, Vladimir Putin, defenderam maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais e a ampliação da representação da Ásia, África e América Latina no órgão. Putin criticou países “acostumados a pensar em termos coloniais” por resistirem à transição para um mundo multipolar, utilizando sanções e “força bruta” para conter concorrentes. A China e a Rússia veem o Brics como um contraponto à predominância ocidental, buscando fortalecer a cooperação entre economias emergentes.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
