Janela de Oportunidade Quase Inexistente
Ao contrário dos terremotos, onde equipes de resgate costumam ter até 72 horas para encontrar sobreviventes, em avalanches de lama e água, a expectativa de vida para as vítimas é drasticamente menor, geralmente inferior a 15 minutos. A grande maioria das pessoas que sobrevivem são aquelas encontradas nas bordas da área atingida. A formação de bolsões de ar, essenciais para a sobrevivência em estruturas colapsadas por tremores, é rara em deslizamentos, onde a força da água e dos detritos soterra tudo. Estudos indicam que a asfixia aguda pode ocorrer após 10 minutos de soterramento, e a sobrevivência é quase nula se a vítima estiver a mais de seis metros de profundidade.
Deslocamento de Vítimas e Destruição de Referências
Deslizamentos de terra e lama podem arrastar vítimas e detritos por quilômetros, alterando completamente a paisagem e destruindo pontos de referência. Enquanto em terremotos as equipes podem contar com mapas e informações sobre a localização de edificações, em avalanches o cenário é de desolação e desfiguramento, tornando a localização de vítimas e o planejamento das buscas extremamente complexos.
Terreno Instável e Vias de Acesso Destruídas
A instabilidade do terreno é um fator crítico. Encostas que sofreram deslizamentos continuam propensas a novos desmoronamentos, exigindo que as equipes de resgate aguardem a estabilização da área e a instalação de sistemas de alerta para garantir a segurança dos profissionais. Além disso, o lamaçal formado pela avalanche dificulta o avanço das equipes, que precisam de adaptações como o uso de pranchas de madeira para se locomover. A destruição das vias de acesso às áreas afetadas no Nepal e Tibete impõe ainda um enorme desafio logístico para o transporte de suprimentos e equipes.
Dificuldades na Escavação e Recuperação
Uma vez que o material do deslizamento se assenta, a escavação se torna significativamente mais difícil do que em casos de terremotos. A lama compactada, misturada com rochas, troncos de árvores e destroços de construções, dificulta a localização e a recuperação de corpos. Mesmo quando uma vítima é identificada, o resgate pode ser inviável devido à profundidade e à consistência do material que a soterra, além da exposição dos corpos à degradação e decomposição.
Fonte: g1.globo.com
