Pesquisadores na Austrália estão liderando uma operação inédita e de alta tecnologia para combater uma severa infestação de ratos domésticos (camundongos) em Browse Island, uma ilha remota na costa de Kimberley, Austrália Ocidental. Utilizando drones, a equipe busca erradicar completamente a praga que ameaça a biodiversidade local, especialmente as aves marinhas.
A Ameaça dos Roedores e o Desequilíbrio Ecológico
A ilha, que já foi um próspero refúgio para aves, estava “infestada por roedores em proporções de praga”, conforme descreveu Bruce Greatwich, coordenador de conservação do Departamento de Biodiversidade, Conservação e Atrações (DBCA). A presença desses camundongos representa uma grave ameaça às aves marinhas, perturbando seus padrões de reprodução e predando ovos, forçando-as a buscar ilhas alternativas para sobreviver e causando um desequilíbrio ecológico alarmante.
A Estratégia dos Drones
A operação, uma colaboração entre o DBCA e a Universidade Monash de Melbourne, empregou drones para distribuir iscas estrategicamente pela ilha. A escolha da tecnologia aérea foi motivada pelas condições desafiadoras de Browse Island: vegetação densa e espinhosa, calor extremo e acesso presencial complicado, que exige uma viagem de barco de dois dias com desembarques complexos devido a recifes e ondas. Um hexacóptero customizado, construído por técnicos da Nova Zelândia, garantiu a precisão crucial para uma aplicação sem falhas das iscas, um fator essencial para a erradicação total dos camundongos.
Detalhes da Operação e Monitoramento
Em outubro de 2025, mais de 700 kg de isca de cor verde brilhante foram espalhados. Uma segunda aplicação foi realizada duas semanas depois para garantir a eliminação de possíveis sobreviventes. Após o lançamento, as equipes monitoraram o consumo da isca verificando pellets roídos e instalando câmeras para observar o comportamento dos camundongos, avaliando a eficácia da intervenção.
Histórico da Infestação e Próximos Passos
Os camundongos, originalmente do sudeste asiático, foram introduzidos na região entre o final do século XIX e o início do século XX, provavelmente durante a mineração de guano ou por meio de atividades de pesca estrangeira. Essa introdução transformou o que era um santuário natural em um exemplo de declínio ecológico. A equipe de pesquisa retornará à ilha em abril para avaliar o sucesso da operação, que só será considerada um êxito se for constatada a ausência total de camundongos no território, restaurando a ilha para suas aves marinhas nativas.
Fonte: canaltech.com.br
