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"title": "AliExpress sob investigação: como o site pode usar seu sistema de áudio para criar uma 'impressão digital' do seu PC",
"subtitle": "Um mecanismo inaudível, descoberto por desenvolvedor, levanta questões sobre privacidade e coleta de dados em segundo plano, mesmo sem reprodução de som.",
"content_html": "<p>Uma investigação conduzida pelo site Tom's Hardware trouxe à tona a alegação de que o AliExpress, gigante do e-commerce, estaria utilizando um mecanismo que explora o sistema de áudio do navegador para coletar informações detalhadas sobre o dispositivo do usuário. A descoberta, que levanta sérias preocupações sobre privacidade, foi inicialmente feita pelo desenvolvedor Matt Callaghan.</p><p>Callaghan notou que seus fones de ouvido Bluetooth multiponto paravam de funcionar corretamente ao abrir a página inicial do AliExpress no Firefox ou Chrome. O áudio de seu celular cessava mesmo sem nenhuma reprodução ativa no computador. O problema só era resolvido ao fechar a aba do AliExpress, enquanto silenciar a aba, o navegador ou o próprio Windows não surtia efeito.</p><h3>A descoberta que acendeu o alerta</h3><p>O desenvolvedor percebeu que a falha surgia após alguns segundos de inatividade da página. Intrigado, ele passou a monitorar a Web Audio API, uma interface de programação usada por navegadores para processar sinais de áudio. A apuração de Callaghan identificou dois scripts, "collina.js" e "fireyejs.js", associados a ferramentas de segurança da Alibaba, empresa-mãe do AliExpress.</p><p>Segundo a análise, esses scripts criam um "grafo de áudio" com um oscilador inaudível e utilizam um analisador para medir como esse sinal é processado pelo navegador. Embora o ganho de volume seja zero, ou seja, nenhum som é audível, o navegador continua a processar o áudio internamente. Esse processamento mantém o canal Bluetooth ativo, impedindo a troca automática entre dispositivos, o que explica a interrupção nos fones de Callaghan.</p><h3>Como funciona o 'audio fingerprinting'</h3><p>O mecanismo descoberto no AliExpress se insere na categoria de "browser fingerprinting", ou impressão digital do navegador. Essa técnica reúne diversas características de um dispositivo e do software utilizado para acessá-lo, criando uma "impressão" única que permite reconhecer o usuário em visitas futuras, mesmo sem o uso de cookies, que podem ser apagados.</p><p>A Electronic Frontier Foundation (EFF) explica que essas características incluem fuso horário, resolução de tela, fontes instaladas e configurações de hardware. O "AudioContext fingerprint" é uma dessas características. A ideia é que pequenas variações na forma como cada combinação de hardware, sistema operacional e navegador processa um sinal de áudio gerado internamente podem produzir resultados ligeiramente diferentes entre dispositivos. Embora isoladamente o audio fingerprinting possa gerar poucas variações distintas, quando combinado a outras características do navegador, ele se torna uma peça valiosa para identificar um dispositivo de forma única.</p><h3>Além do áudio: outros dados coletados</h3><p>A investigação de Callaghan revelou que, além dos dados de áudio, os mesmos scripts também coletam outras informações técnicas do dispositivo. Isso inclui dimensões de tela, memória, plugins instalados, informações de renderização via WebGL, formatos de áudio e vídeo suportados, desempenho do navegador e eventos de mouse. Esses dados seriam serializados, criptografados e enviados aos servidores de telemetria da Alibaba.</p><p>É importante ressaltar que a investigação não encontrou indícios de que o mecanismo capture conversas, identifique o usuário pelo nome ou colete dados pessoais diretos como CPF ou endereço. O foco parece ser a criação de uma impressão digital do dispositivo.</p><h3>Proteções e o futuro da privacidade</h3><p>Após a repercussão do caso, a Mozilla afirmou que o Firefox já possui proteções nativas contra fingerprinting, incluindo reforços contra técnicas baseadas em Web Audio introduzidos na versão 118, lançada em setembro de 2023. O navegador Brave também alega bloquear esse tipo de rastreamento por padrão, injetando dados aleatórios na saída de áudio e reiniciando essa aleatoriedade a cada nova sessão.</p><p>O Tom's Hardware trata o caso como uma alegação baseada na investigação técnica de Callaghan, sem confirmação da Alibaba sobre a finalidade exata do mecanismo. No entanto, o incidente destaca a crescente sofisticação das técnicas de rastreamento online e a importância de ferramentas de privacidade nos navegadores.</p>"
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Fonte: canaltech.com.br