Uma nova e sofisticada tática criminosa, batizada de “golpe do sósia”, tem preocupado especialistas em segurança digital no Brasil. Identificada pela Serasa Experian, essa modalidade de fraude já registra um ataque a cada cinco segundos, totalizando 2,86 milhões de tentativas bloqueadas no primeiro semestre de 2026 – um aumento de 32,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Como o “Golpe do Sósia” funciona?
Diferente das fraudes de identidade tradicionais, onde o criminoso busca os dados de uma vítima específica, o “golpe do sósia” inverte a lógica. O fraudador parte do próprio rosto e utiliza softwares avançados de comparação facial para encontrar pessoas que possuam características físicas semelhantes a ele. Esses sistemas varrem grandes bases de dados, que podem incluir imagens disponíveis publicamente ou obtidas de forma ilícita, para localizar um “sósia” com identidade legítima.
Uma vez encontrado o alvo, o criminoso tenta usar os dados dessa pessoa em operações que exigem validação de identidade, como abertura de contas ou cadastros diversos. A alta semelhança facial pode ser um fator complicador, especialmente quando o reconhecimento do rosto é o único ou principal mecanismo de autenticação utilizado.
Biometria Facial: A tecnologia não é o problema
É crucial entender que o surgimento do “golpe do sósia” não significa que a biometria facial esteja comprometida ou que sua segurança tenha sido “quebrada”. O risco reside na utilização isolada desse recurso. A Serasa Experian enfatiza que a vulnerabilidade surge quando a validação de identidade depende exclusivamente da comparação facial, sem cruzar essas informações com outros dados relevantes sobre a pessoa e a transação em questão.
Proteção Essencial: Dicas para Consumidores
Para se defender dessa nova ameaça, a principal recomendação é reduzir a exposição de informações pessoais online. Confira as orientações da Serasa:
- Evite publicar fotos: Nunca compartilhe fotos de documentos ou selfies segurando documentos em redes sociais e aplicativos de mensagem.
- Cuidado com dados: Forneça informações pessoais e biométricas apenas em sites e aplicativos oficiais e confiáveis.
- Desconfie de pedidos: Não envie fotos do rosto ou documentos para desconhecidos. Desconfie de solicitações inesperadas de reconhecimento facial recebidas por links, mensagens, e-mails ou QR Codes.
- Segurança digital básica: Use senhas fortes e ative a autenticação em dois fatores (2FA) em seu celular e em todos os aplicativos importantes.
- Mantenha-se atualizado: Garanta que sistemas e aplicativos em seus dispositivos estejam sempre com as últimas atualizações de segurança.
- Monitore seu CPF: Verifique regularmente seu CPF em serviços de proteção ao crédito para identificar movimentações suspeitas.
- Canais oficiais: Diante de qualquer movimentação desconhecida ou dúvida, procure sempre os canais oficiais da empresa envolvida.
O Papel das Empresas na Prevenção
Empresas que utilizam biometria facial devem adotar uma abordagem multifacetada para a validação de identidade. A recomendação é evitar que uma única imagem seja suficiente para aprovar uma identidade. É fundamental combinar o reconhecimento facial com:
- Prova de vida (para confirmar que a pessoa está presente em tempo real);
- Análise de documentos;
- Conferência de dados cadastrais;
- Identificação do dispositivo utilizado na operação;
- Avaliação do comportamento do usuário durante a transação.
Essa combinação permite identificar inconsistências que uma simples comparação facial não revelaria. Por exemplo, um usuário pode ter alta similaridade facial com a vítima, mas estar usando um dispositivo ou fornecendo dados que não correspondem à identidade legítima.
Em suma, o “golpe do sósia” representa uma evolução na exploração de sistemas de biometria. Para o consumidor, a vigilância e a proteção de fotos, documentos e dados pessoais continuam sendo as defesas mais eficazes contra as tentativas de fraude.
Fonte: canaltech.com.br
