A Potência do Artesanato Matis no Vale do Javari
Comunidades indígenas na região do Vale do Javari, como o povo Matis, estão encontrando novos caminhos para o desenvolvimento econômico e a preservação cultural através do artesanato. A participação em feiras e exposições, como a 3ª Feira de Arte Indígena de Benjamin Constant em 2025, viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc, tem sido um marco. Essa experiência não só proporcionou a conquista da Carteira Nacional do Artesão, mas também permitiu a aquisição de um barco com motor para a associação, facilitando o escoamento da produção em uma área de vastas distâncias.
Da Floresta à Arte: Conhecimento Ancestral Valorizado
As peças de artesanato, que vão de cerâmicas e cuias a máscaras e artefatos de caça, carregam em si um profundo conhecimento ancestral. Cada item é resultado de técnicas transmitidas entre gerações, que incluem o manejo sustentável da matéria-prima, o uso de pigmentos naturais como urucum e jenipapo, e a incorporação de elementos simbólicos, canções e a preservação da língua nativa. O presidente da Associação de Artesãos Aldeia Paraíso Etnia Matis, Tami Wassa Matis, destaca a importância dessas feiras para a visibilidade e o reconhecimento do trabalho, incentivando a comunidade a produzir mais e abrir novos caminhos.
Parcerias Estratégicas para o Crescimento Sustentável
O Sebrae, em parceria com a Prefeitura Municipal de Benjamin Constant e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), por meio da Incubadora de Negócios de Impacto Socioambiental do Alto Solimões (Inpactas), atua para consolidar a estrutura desses negócios. O objetivo é ampliar o alcance da produção e fortalecer o empreendedorismo indígena sem perder a essência cultural. Pedro Mariosa, diretor executivo da Inpactas, explica que a incubadora oferece suporte técnico, ferramentas e conexões com parceiros estratégicos para que empreendimentos como o dos Matis ganhem escala.
Inovação e Impacto Socioambiental na Amazônia
O conceito de inovação na região é ampliado para além da tecnologia digital, englobando soluções de impacto socioambiental. O artesanato indígena é visto como uma “alta artesania”, com técnica, conhecimento e qualidade comparáveis a produções globais. A iniciativa visa transformar a produção artesanal em oportunidade concreta de geração de renda e fortalecer o empreendedorismo indígena como um vetor de desenvolvimento econômico, social e ambiental na Amazônia, beneficiando diretamente cerca de 100 famílias Matis em comunidades remotas.
Fonte: agenciasebrae.com.br
