Após uma década de árdua batalha e inovação, a AMD, conhecida como o ‘Time Vermelho’, alcançou um marco histórico no mercado de CPUs x86. Pela primeira vez em muito tempo, a empresa superou a barreira dos 30% de participação, consolidando sua posição como um concorrente formidável para a Intel, que por anos dominou amplamente o setor. A informação, que acende um alerta na sede da gigante azul, vem do mais recente relatório da renomada empresa de pesquisa de mercado Mercury Research, referente ao segundo trimestre de 2026.
Os dados revelam que a AMD encerrou o trimestre com impressionantes 30,3% da fatia total do mercado de processadores x86, deixando a Intel com os 69,7% restantes neste duopólio tecnológico. Esse avanço representa uma guinada significativa, especialmente quando se considera a posição marginal da AMD na era dos processadores FX, antes da revolução Ryzen.
Crescimento Explosivo em Desktops e Notebooks
O motor por trás desse crescimento foi, principalmente, o segmento de computadores de mesa. No mercado de CPUs para desktops, a participação da AMD disparou para 34,9%, registrando um aumento de quase 3% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Embora a Intel ainda mantenha 65,1% neste nicho, a perda de terreno é inegável.
No setor de notebooks e dispositivos móveis, a empresa liderada por Lisa Su também demonstrou força, atingindo 28,9% de participação. Isso representa um notável aumento de 8% em relação ao ano passado. Somando todos os segmentos (desktops e notebooks), a AMD alcançou sua participação total de 30,3% em envios de chips x86, um salto de mais de 6% nos últimos 12 meses. Apesar de um leve recuo de 1% no envio bruto de unidades para desktops em relação ao trimestre anterior, as receitas com essas vendas subiram, indicando um aumento no preço médio dos processadores comercializados.
A Jornada de Recuperação da AMD
Esse avanço não é fruto do acaso, mas sim do impacto de uma reconstrução estratégica que começou com o lançamento dos processadores Ryzen em 2017. A AMD investiu pesado na arquitetura Zen, que trouxe consigo um design modular de chiplets e uma eficiência energética superior. Essa estratégia se mostrou crucial para a retomada, contrastando com um período de aparente comodismo por parte da Intel, que permitiu à rival ganhar terreno e conquistar a confiança de usuários e parceiros.
A Pressão sobre a Intel
O cenário atual coloca uma pressão considerável sobre a Intel. A empresa enfrenta o desafio de conter a perda de espaço nos PCs, ao mesmo tempo em que busca reestruturar suas linhas de produção e recuperar a confiança do mercado. A dominância da AMD nas vendas de processadores Ryzen para desktop em diversos mercados é um claro indicativo da necessidade de uma resposta rápida e eficaz por parte da Intel.
O Futuro do Ecossistema x86
Apesar da intensa rivalidade, AMD e Intel também atuam como parceiras na proteção do ecossistema x86. Ambas as empresas estão atentas ao avanço da arquitetura Arm no Windows, com a chegada de chips como o Qualcomm Snapdragon e os aguardados RTX Spark da NVIDIA ainda este ano. Essa frente unida visa garantir a competitividade do x86 em um mercado de hardware em constante evolução, onde novas arquiteturas buscam seu espaço.
Fonte: canaltech.com.br
