Uma grave falha de privacidade foi identificada no serviço de Retransmissão Privada do iCloud, da Apple, que deveria proteger o endereço IP de usuários de iPhone durante a navegação online. A vulnerabilidade permite que sites e provedores de internet acessem o IP do usuário mesmo quando o recurso está ativo, comprometendo a promessa de anonimato. A descoberta foi feita pela desenvolvedora Mysk e divulgada publicamente pelo site 404 Media nesta quinta-feira, 7 de agosto de 2026.
O problema reside na arquitetura de navegação da Apple e na forma como as passkeys são processadas para acessar sites e aplicativos. Segundo a Mysk, como o processamento das passkeys ocorre em um ambiente virtual distinto, o endereço IP do usuário pode ser inadvertidamente exposto a rastreadores, anulando o propósito do Retransmissão Privada do iCloud.
A decisão da Mysk de tornar a falha pública, em vez de comunicá-la diretamente à Apple, reflete experiências passadas com a empresa. Em nota, a desenvolvedora expressou frustração: “nossa experiência prévia com a Apple nos diz que denunciar o problema envolve meses de atrasos, comunicação inconsistente e, em alguns casos, negar o impacto da questão.”
O que é a Retransmissão Privada do iCloud?
A Retransmissão Privada do iCloud é um recurso premium, parte da assinatura iCloud+, projetado para ocultar o endereço IP original do usuário através de um proxy. Ao navegar pelo Safari, essa ferramenta impede que sites e provedores obtenham dados de preferências para criar perfis de usuário, que são frequentemente usados para anúncios e conteúdos segmentados. É importante notar que, embora funcione de maneira similar, o recurso não é uma Rede Privada Virtual (VPN) completa, pois sua atuação é limitada ao Safari, enquanto uma VPN abrange toda a rede ou dispositivo.
Outros Serviços Pagos da Apple Já Tiveram Falhas
Este incidente ganha destaque por não ser o primeiro a envolver um serviço pago da Apple. No ano passado, pesquisadores revelaram que o “Ocultar Meu E-mail”, outra funcionalidade premium destinada a proteger endereços de e-mail, também possuía uma vulnerabilidade que expunha os dados que deveriam ser resguardados. O caso foi reportado à gigante de tecnologia em junho de 2025 e levou mais de um ano para ser corrigido, levantando preocupações sobre a agilidade da Apple em lidar com questões de segurança em seus serviços.
A revelação da Mysk reforça a necessidade de vigilância constante sobre a segurança digital, mesmo em serviços que prometem maior privacidade. Usuários do iPhone que dependem do Retransmissão Privada do iCloud para proteger seu IP devem estar cientes desta nova vulnerabilidade.
Fonte: canaltech.com.br
