Ascensão do AfD na Saxônia-Anhalt
A Alemanha acompanha com expectativa e apreensão as próximas eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, um estado que compunha a antiga Alemanha Oriental. As pesquisas indicam uma liderança expressiva do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), com 43% das intenções de voto, superando em mais do que o dobro o partido do atual chefe de governo e do chanceler alemão. Caso os resultados se confirmem, a região pode testemunhar a eleição do primeiro governo estadual de extrema-direita desde o fim da Segunda Guerra Mundial, um cenário que repercute não só internamente, mas em toda a Europa e no mundo.
Ulrich Siegmund: O rosto da campanha do AfD
Na linha de frente da campanha do AfD na Saxônia-Anhalt está Ulrich Siegmund, de 35 anos. O jovem político, que já estampou a capa da renomada revista alemã “Der Spiegel” como “o homem mais perigoso da Alemanha”, construiu sua projeção política principalmente através das redes sociais. Seus vídeos com forte retórica anti-imigração, defesa de uma identidade nacional e críticas à imprensa ganharam popularidade. Siegmund apostou em uma campanha informal, com interações diretas com eleitores em eventos, selfies e distribuição de cerveja, uma estratégia que parece ter surtido efeito nas pesquisas.
Raízes da Ascensão e Propostas Controversas
Criado em 2013 como um partido eurocético, o AfD se radicalizou após a crise de refugiados de 2015. A imigração se tornou uma de suas bandeiras centrais, especialmente em estados da antiga Alemanha Oriental como a Saxônia-Anhalt. Esta região, com desafios econômicos persistentes desde a reunificação, como fechamento de empresas e êxodo populacional, tem um histórico de sentimento de abandono e desconfiança em relação aos partidos tradicionais, o que tem aberto espaço para a ascensão da AfD. O programa do partido inclui propostas como o aumento de deportações de requerentes de asilo rejeitados, a criação de turmas escolares separadas para imigrantes e crianças com necessidades especiais, o cancelamento de concessões de emissoras públicas e a retirada de verbas de projetos considerados “antialemães”.
Vigilância e Teste à Democracia
O braço do AfD na Saxônia-Anhalt é classificado desde 2023 pelo serviço de inteligência estadual como uma organização extremista de direita, com dirigentes adotando posições incompatíveis com os princípios constitucionais de dignidade humana e democracia. Essa classificação permite maior vigilância sobre o partido, mas a proibição nas urnas dependeria de uma decisão judicial. Analistas políticos avaliam que uma vitória eleitoral do AfD na Saxônia-Anhalt representará um importante teste para a resiliência das instituições democráticas alemãs diante do avanço da extrema-direita.
Fonte: g1.globo.com
