Impasse Nuclear Ganha Nova Fase
O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) decidiu encaminhar o programa nuclear do Irã ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. A medida, inédita em aproximadamente 20 anos, surge após o governo iraniano falhar em fornecer explicações satisfatórias sobre a descoberta de partículas de urânio em locais não declarados às autoridades internacionais. Desde 2019, inspeções da AIEA têm identificado vestígios de urânio em diferentes pontos do território iraniano que não constavam na lista oficial de instalações nucleares do país.
Locais Sombrios e Perguntas Sem Resposta
Entre os locais sob escrutínio estão as cidades de Varamin e Turquzabad. Em Varamin, a AIEA confirmou a existência de uma instalação não declarada, ativa entre 1999 e 2003, que processava minério de urânio e produzia compostos essenciais para o ciclo nuclear. Amostras ambientais posteriores detectaram partículas compatíveis com essas atividades. Já em Turquzabad, inspetores encontraram sinais de material nuclear e equipamentos contaminados, supostamente transferidos de outras instalações. A AIEA tem reiteradamente exigido do Irã esclarecimentos sobre a origem desses vestígios e o paradeiro do material em questão.
Garantias de Paz em Risco
A agência argumenta que o Irã tem a obrigação, conforme o acordo de salvaguardas do Tratado de Não Proliferação Nuclear, de informar sobre todas as atividades e materiais nucleares sujeitos à fiscalização internacional. Sem respostas consideradas tecnicamente confiáveis, a AIEA declara não ter condições de assegurar que todo o material nuclear no país esteja sendo utilizado exclusivamente para fins pacíficos. O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, também expressou preocupação com a falta de acompanhamento contínuo dos estoques declarados de urânio enriquecido em instalações iranianas atingidas por ataques recentes.
Posições Divergentes e Futuro Incerto
A resolução foi aprovada com 23 votos a favor no Conselho de Governadores, com oposição de China, Rússia e Níger, e abstenção de oito países. Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha apresentaram a proposta. O Irã, por sua vez, rejeitou a decisão, reafirmando que seu programa nuclear tem fins pacíficos e acusando países ocidentais de usarem a AIEA como ferramenta de pressão política. Teerã também aponta a guerra e os ataques às suas instalações como fatores que dificultam a retomada completa das inspeções.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
