A Morte de Robin Hood: Crítica Dividida Sobre Reinvenção do Herói Que Rouba dos Ricos
Novo filme com Hugh Jackman explora um Robin Hood marcado pela violência e em busca de redenção, mas divide opiniões sobre sua execução.
A figura icônica de Robin Hood, o fora da lei que subtraía dos abastados para amparar os necessitados, sempre representou um desafio para reinvenções no cinema. De aventureiro carismático a herói romântico, passando por versões cômicas e até sombrias, o personagem ganhou novas facetas. Agora, A Morte de Robin Hood, dirigido por Michael Sarnoski e estrelado por Hugh Jackman, propõe um afastamento radical do mito tradicional, apresentando um Robin marcado por uma vida de crimes e confrontado com a possibilidade de redenção em seus últimos dias.
Um Robin Hood Despido de Heroísmo
Desde o início, o filme estabelece um tom sombrio e introspectivo. Robin Hood, interpretado por Jackman, reconhece a falsidade de sua fama heroica, admitindo uma trajetória de violência. Cansado e isolado, ele se vê gravemente ferido após um confronto com Little John (Bill Skarsgård). Acolhido em um priorado sob a liderança de Brigid (Jodie Comer), Robin inicia um processo de recuperação que transcende o físico, focando em uma transformação moral.
Redenção ou Arrependimento: O Dilema da Narrativa
A proposta de Sarnoski reside em explorar o que resta de um homem após uma vida dedicada à destruição. Robin convive com órfãos e doentes, desenvolve laços com um leproso e assume um papel paternal para Margaret, filha de Little John. A habilidade com armas cede lugar à reflexão sobre a capacidade de um indivụo, que passou a vida desfazendo relações, de construir algo em seu ocaso. Críticos como The Guardian elogiam a atmosfera imersiva e a exploração visual e sonora da Inglaterra medieval, apesar de lamentarem a concentração da ação no início. O Hollywood Reporter ecoa os elogios à estética, mas aponta para uma dificuldade na conexão emocional com o protagonista, apesar da intensidade da atuação de Jackman.
Divisão de Opiniões Sobre a Execução da Ideia
Enquanto alguns veículos, como o Christianity Today, veem no filme uma poderosa história de redenção com fortes conotações cristãs, destacando o abandono da violência e o cuidado com Margaret como um contraponto ao mito, outros críticos apontam falhas na execução. The Guardian compara a ambição do filme com a de O Irlandês, mas considera que os personagens permanecem distantes e o passado de Robin mal desenvolvido. O Hollywood Reporter critica o ritmo lento e a falta de material dramático para sustentar a narrativa contemplativa, sentindo que a expectativa criada pela violência inicial não é cumprida.
Um Final Controverso e a Distância entre Ambição e Realidade
O desfecho do filme intensifica as divergências. Robin descobre que causou a morte do marido e filhos de Brigid, e ao confessar, aceita seu castigo. No entanto, Brigid, transformada pela própria dor, demonstra compaixão e Robin pede ajuda para morrer. Para o Christianity Today, essa escolha final impede que a transformação de Robin se complete plenamente. A recepção geral, refletida em plataformas como Rotten Tomatoes e Metacritic, mostra uma divisão clara: 66% de aprovação entre os críticos no Rotten Tomatoes e uma média de 60/100 no Metacritic. O filme é reconhecido por sua proposta visual e temática, mas a dificuldade em sustentar emocionalmente a reinvenção do personagem é o que mais divide especialistas, resultando em um filme mais interessante pela tentativa do que pelo resultado final.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
