A memória de 007 Goldeneye no Nintendo 64 ressoa como um marco na história dos games, um título que elevou a franquia James Bond a um patamar lendário nos consoles. Para muitos, como eu, que acompanharam a era de Timothy Dalton e viram Pierce Brosnan se tornar o Bond favorito, a expectativa por um novo jogo à altura sempre foi imensa. Agora, com 007 First Light, a IO Interactive, renomada por Hitman, promete uma nova história, um Bond jovem e a experiência que os fãs esperam há anos.
Este novo título é, de fato, um deleite para os amantes de Bond. Ele carrega o DNA do estúdio, com momentos de furtividade precisos, muita ação no estilo dos filmes de Daniel Craig e uma aventura intrinsecamente cinematográfica. Isso implica um grande apelo gráfico, essencial para imergir o jogador no universo do agente secreto mais famoso do mundo.
O jogo foi desenvolvido na engine Glacier da IOI, uma versão evoluída da tecnologia vista em Hitman. Embora seja um game bonito, ele não figura entre os mais avançados graficamente da indústria, mas cumpre bem seu propósito estético. A promessa inicial de Path Tracing para PC foi adiada, com a tecnologia esperada para os próximos meses, o que é uma pena, dada a forma como o game poderia se beneficiar de uma renderização tão avançada. Tive a oportunidade de testar a versão de PC antecipadamente e compartilho minhas impressões abaixo.
Visuais e a Engine Glacier
Durante nossos testes, 007 First Light foi jogado em 1440p, utilizando DLAA para garantir a melhor qualidade visual. As texturas, em geral, são boas. A diferença entre as configurações média e alta é perceptível, mas a transição de média para ultra oferece pouca melhoria visual em troca de quase 1 GB de consumo adicional de VRAM, o que definitivamente não vale a pena. Em seu nível mais baixo, as texturas são mais simples, mas ainda se mantêm decentes.
As sombras são um ponto onde o Path Tracing faria uma enorme diferença. Enquanto as sombras estáticas estão dentro do padrão, aquelas geradas por objetos em movimento, como árvores e redes, são de baixa qualidade. É possível notar essa fragilidade até mesmo em vídeos de demonstração da NVIDIA. Já os reflexos são um caso à parte: espelhos nos cenários exibem reflexos quase perfeitos, replicando o ambiente inteiro com exatidão. No entanto, em outras superfícies reflexivas, a técnica empregada é mais básica, utilizando "cube maps" que desaparecem ao mover a câmera.
O jogo oferece poucas configurações gráficas avançadas, e não há um preset global; é preciso ajustar cada opção manualmente para ver o impacto no desempenho e nos visuais.
Desempenho e o Papel do DLSS 4.5
007 First Light é um jogo pesado, e o suporte ao DLSS 4.5 é crucial. A tecnologia oferece upscaling de alta qualidade e um gerador de quadros que varia de 2x a 6x, além de um modo dinâmico que se adapta ao seu alvo de FPS ou à taxa de atualização do monitor. Em 1440p, a diferença visual entre DLAA e o modo ultra desempenho é mínima, quase imperceptível. Contudo, o incremento de performance não é tão expressivo, dificilmente superando 10 FPS de ganho entre os modos, com exceção do ultra desempenho, que pode elevar a taxa de 80 para 100 FPS.
O gerador de quadros, por sua vez, não me agradou totalmente. Quanto maior o modo, mais problemas visuais surgem em elementos do cenário e no HUD, uma característica conhecida dessa tecnologia. Em meus testes, o modo x2 foi o mais aceitável, permitindo uma taxa de quadros entre 80 e 100 FPS com DLAA. Claramente, há necessidade de otimizações nesse aspecto.
Bugs e a Necessidade de Polimento
Um dos pontos mais críticos de 007 First Light é a quantidade de bugs presentes. Durante a jogatina, deparei-me com legendas dessincronizadas, NPCs flutuando, objetos finos tremendo de forma errática como se faltasse anti-aliasing, e sombras incorretas em personagens. A impressão é que o jogo poderia ter se beneficiado de mais uma ou duas semanas de polimento geral antes do lançamento.
Veredito Final: Potencial Brilhante com Resalvas Técnicas
Apesar da ausência do Path Tracing no lançamento, dos problemas visuais pontuais, da falta de controle gráfico mais aprofundado e dos inúmeros bugs, a IO Interactive acertou em cheio na essência do jogo. A história é envolvente, o gameplay é extremamente satisfatório e os visuais, apesar das ressalvas, são bons.
007 First Light tem tudo para ser um dos grandes destaques de 2026. Mal posso esperar para jogá-lo novamente com o Path Tracing implementado, esperando que as otimizações e correções de bugs transformem a experiência em algo ainda mais impecável.
Fonte: canaltech.com.br
