O ator Val Kilmer, que faleceu em 2025 devido a um quadro de pneumonia, foi surpreendentemente “ressuscitado” digitalmente para estrelar postumamente o filme “As Deep as the Grave”. A decisão de utilizar inteligência artificial (IA) generativa para recriar o astro, que não chegou a gravar nenhuma cena em vida, foi apoiada pela sua família e promete gerar um impacto significativo na indústria cinematográfica.
A ‘Ressurreição’ Digital com o Apoio Familiar
Kilmer havia sido escalado em 2020 para interpretar um padre católico no filme, mas complicações de saúde decorrentes de um câncer de garganta o impediram de participar das gravações. Segundo o diretor Coerte Voorhees, o personagem foi criado especificamente para Kilmer, e o ator expressou grande desejo de fazer parte do projeto, acreditando na importância da história. Com a bênção da família do ator, Voorhees decidiu seguir em frente com a ideia de usar a tecnologia para dar vida ao personagem de Kilmer na tela, mesmo após seu falecimento.
A Tecnologia por Trás da Recriação
Para a recriação de Val Kilmer, a tecnologia de inteligência artificial empregada combina imagens do ator de seus anos mais jovens com registros de seus últimos anos de vida. Muitos desses registros foram fornecidos pela própria família, garantindo a autenticidade da fisionomia. Além disso, a IA foi treinada para simular a voz do artista, completando a ilusão de seu retorno. A Variety destaca que essa abordagem inovadora busca preservar a essência do ator em sua performance póstuma.
O Polêmico Cenário da IA em Hollywood
O uso de ferramentas de inteligência artificial em Hollywood é um tema de intensa controvérsia, especialmente quando se trata de recriar ou manipular imagens e vídeos de atores sem sua presença física. A indústria tem demonstrado crescente preocupação com os efeitos da IA, levantando debates sobre a perda de empregos e o uso indevido da imagem de artistas em produções audiovisuais. Decisões como a da equipe de “As Deep as the Grave” chegam ao setor já destinadas a críticas e discussões acaloradas sobre a ética e o futuro da atuação.
Diretrizes e Compensação: O Caso Kilmer
No entanto, a família de Val Kilmer assegura que o projeto foi conduzido com base nas diretrizes do SAG (Screen Actors Guild), o sindicato dos atores de Hollywood. Além disso, os herdeiros do ator foram devidamente compensados pela recriação da imagem do astro no filme. Este caso específico, com o consentimento familiar e a adesão às diretrizes sindicais, busca estabelecer um precedente para o uso ético da IA, embora o debate geral na indústria permaneça aceso sobre os limites e a regulamentação dessa tecnologia transformadora.
Fonte: canaltech.com.br
