Acusação Ocidental
Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Holanda apresentaram um comunicado conjunto nesta sexta-feira (16) alegando que o líder oposicionista russo Alexey Navalny, que faleceu em fevereiro de 2024 em uma prisão na Sibéria aos 47 anos, foi envenenado com uma toxina letal. A substância identificada é a epibatidina, um alcaloide encontrado em sapos venenosos da América do Sul.
Segundo os países signatários, análises de amostras de Navalny confirmaram conclusivamente a presença da epibatidina. Embora a Rússia sustente que Navalny morreu de causas naturais, a alta toxicidade da substância e os sintomas associados levam os governos ocidentais a crer que o envenenamento foi a causa de sua morte. A epibatidina é estimada em 200 vezes mais potente que a morfina.
Meios, Motivo e Oportunidade
O comunicado conjunto ressalta que a Rússia possuía os meios, o motivo e a oportunidade para administrar o veneno a Navalny enquanto ele estava sob custódia. Os signatários criticam o que chamam de “reiterado desrespeito da Rússia pelo direito internacional e pela Convenção sobre Armas Químicas”.
Esta acusação se soma a condenações anteriores, como o uso do agente nervoso Novichok contra Navalny em 2020, e o ataque ao ex-espião russo Sergei Skripal em 2018 na Inglaterra. Em ambos os casos, as potências ocidentais apontaram o Estado russo como responsável.
Apelo por Responsabilização
Os países reforçam a necessidade de responsabilizar a Rússia por violações da Convenção sobre Armas Químicas e da Convenção sobre Armas Biológicas. Os Representantes Permanentes junto da Organização para a Proibição de Armas Químicas foram instruídos a notificar o diretor-geral sobre a nova violação, expressando preocupação com a não destruição de armas químicas russas.
Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Holanda afirmaram que utilizarão “todos os instrumentos políticos” para pressionar por responsabilização russa, embora os detalhes de como a toxina teria sido administrada a Navalny permaneçam incertos.
Declarações da Viúva e Aliados
Yulia Navalnaya, viúva do dissidente, concedeu uma entrevista coletiva paralela à Conferência de Segurança de Munique para anunciar as descobertas. A ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, declarou que o Reino Unido investigou “com firme determinação” a verdade sobre a morte e acusou o “Kremlin” de uma “conspiração bárbara para silenciar sua voz”.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
