Tempo de tela: Quanto é demais antes de dormir? Neuropediatra explica como o uso noturno afeta seu sono e o de seus filhos

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O tempo de tela, especialmente no período noturno, tem sido amplamente associado à má qualidade do sono. A interferência dos dispositivos eletrônicos no funcionamento cerebral e no ritmo biológico pode comprometer o descanso adequado, sendo os efeitos ainda mais acentuados em crianças e adolescentes. Mas, afinal, quanto tempo de tela por dia já começa a prejudicar o sono?

Segundo o médico neuropediatra Anderson Nitsche, professor da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os impactos das telas no organismo se manifestam por meio de mecanismos biológicos e comportamentais.

Como a exposição a telas afeta o sono?

A relação entre o uso de telas e a qualidade do sono é complexa, envolvendo tanto alterações hormonais quanto estímulos cognitivos que dificultam o relaxamento pré-sono. A luz emitida por celulares, tablets e computadores, especialmente a luz azul, sinaliza ao cérebro que ainda é dia, inibindo a produção de melatonina, o hormônio responsável por induzir o sono.

Essa desregulação hormonal pode desorganizar o ritmo circadiano, tornando mais difícil adormecer e reduzindo a profundidade do sono. Em adultos, os sintomas incluem maior tempo para pegar no sono, diminuição do descanso efetivo e sensação de fadiga ao despertar. O neuropediatra ressalta que “em crianças e adolescentes, esse efeito tende a ser ainda mais intenso porque o sistema circadiano é mais sensível à luz noturna”.

Conteúdo estimulante mantém o cérebro em alerta

Além do fator biológico, há um componente comportamental e cognitivo crucial. O consumo de conteúdos digitais – como redes sociais, notícias, jogos e até mesmo trabalho – ativa circuitos cerebrais de atenção e recompensa, mantendo o cérebro em estado de alerta. Anderson Nitsche explica que esse processo “aumenta o estado de alerta”, dificultando o relaxamento necessário para iniciar o sono e prolongando o tempo que se leva para adormecer (a chamada latência do sono).

Qual o limite de tempo de tela para não prejudicar o sono?

Embora muitos busquem um número exato de horas consideradas seguras, especialistas apontam que o momento do uso das telas é significativamente mais relevante do que o tempo total diário. O neuropediatra Anderson Nitsche enfatiza que “não existe um número exato que sirva para todos, mas as evidências mostram que o fator mais crítico não é apenas o tempo total diário, e sim o uso nas duas horas que antecedem o sono”.

Para adultos, “exposição recreativa noturna acima de 2 a 3 horas já se associa a pior qualidade do sono e maior dificuldade para adormecer”. No caso de adolescentes, a conexão entre o uso noturno prolongado e a privação crônica de sono é ainda mais consistente. Mesmo períodos mais curtos de exposição, quando ocorrem imediatamente antes de dormir, são capazes de alterar o ritmo biológico e comprometer a qualidade do descanso.

Fonte: canaltech.com.br

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