Resident Evil Requiem: A Obra-Prima Definitiva do Terror que Celebra 30 Anos e Redefine o Survival Horror para Fãs Antigos e Novatos

0
7

Há três décadas, a Capcom dava vida a um dos pilares do survival horror, um gênero que viria a definir uma era na indústria de videogames. A icônica mansão, os zumbis e os quebra-cabeças de Resident Evil cativaram milhões nos anos 90, consolidando-se como uma das maiores franquias da história. Hoje, chegamos ao aguardado nono capítulo, Resident Evil Requiem, que assume a ambiciosa missão de celebrar essa trajetória de 30 anos e, ao mesmo tempo, conectar passado e presente de forma coesa, entregando um abraço aos fãs e uma aventura com pilares próprios.

A trama nos apresenta o retorno de um dos rostos mais queridos da série, Leon S. Kennedy, ao lado da estreia da enigmática Grace Ashcroft. Um novo mistério os une, trazendo à tona segredos antigos e pavimentando o caminho para o que virá. O resultado é um jogo que se destaca pela divisão inteligente de estilos, um retorno necessário a Raccoon City, surpresas impactantes e um desempenho maduro, apesar de um leve pendor ao fanservice em alguns momentos.

A Dinâmica Entre Veterano e Novata: O Coração de Requiem

Um dos aspectos mais marcantes de Resident Evil Requiem é a história intrinsecamente conectada de Leon e Grace. Enquanto o agente busca incansavelmente a cura para o vírus que assola aqueles que tiveram contato com Raccoon City, a nova heroína almeja desvendar a verdade sobre suas próprias origens. O elo entre eles é Victor Gideon, um cientista perturbado que busca perpetuar o legado de Oswell E. Spencer, um dos fundadores da Umbrella Corporation. Uma série de assassinatos suspeitos os conduz à clínica de experimentos de Gideon, onde seus destinos se entrelaçam em busca de um objetivo macabro.

A jogabilidade se alterna entre os dois protagonistas, criando uma experiência rica e variada. Nos trechos com Grace Ashcroft, que nunca teve contato direto com infectados, somos imersos no “survival horror raiz”: gerenciamento de recursos escassos, sustos genuínos, a necessidade de furtividade e quebra-cabeças desafiadores. Já com Leon S. Kennedy, o veterano de guerra, a abordagem muda. Embora os elementos de horror persistam, ele lida com os problemas com maior desenvoltura, munido de farta munição e um machado como fiel aliado, refletindo sua experiência e a conexão do passado com os eventos atuais. Essa dinâmica é o núcleo que rege Requiem, imergindo o jogador nos desafios únicos de cada personagem e desenvolvendo uma narrativa que culmina em Raccoon City. Como destacou o analista Diego Corumba, “A Capcom acertou em cheio em trazer uma novata e um veterano para agirem em conjunto, com as mecânicas de cada um que enriquecem ainda mais essa festa de aniversário dos 30 anos”. O retorno à cidade devastada de Resident Evil 3 é feito com um respeito gigantesco pelo material original, com os escombros ainda guardando mistérios e transportando o jogador para uma longa viagem aos eventos originais, especialmente o trecho da delegacia.

O Espetáculo da Ação e os Novos Horrores

Seja na clínica de Gideon, em Raccoon City ou em outros locais visitados, as batalhas em Resident Evil Requiem são cinematográficas, não no sentido de “filminhos”, mas de colocar o jogador no centro de cenas de ação insanamente bem dirigidas. Isso proporciona surpresas excelentes e impactantes. A divisão de gameplay é crucial aqui: Grace exibe uma lentidão natural, ditada pelo medo do desconhecido, enquanto Leon corre, pula, atira e enfrenta inimigos de igual para igual. Segundo Diego Corumba, “Me marcou bastante uma perseguição que ocorre logo no início de Resident Evil Requiem, no meio da cidade com diversos eventos em paralelo que levantam a tensão a cada segundo”.

Um dos pontos mais surpreendentes são os infectados que carregam ecos de suas vidas passadas. Eles reagem à luz e ao som, mantêm padrões imprevisíveis e criam um clima ainda mais sombrio. Há aqueles que se limpam em espelhos, cantam perto de cassinos, carregam equipamentos médicos ou até usam motosserras – exigindo extremo cuidado. Os “cantores” são particularmente perturbadores, pois além dos ataques físicos conhecidos, eles emitem um ataque sonoro que tira o equilíbrio, dificultando mirar ou correr. Cada encontro é uma nova ameaça a ser decifrada.

Amadurecimento Técnico e Inovações da Capcom

A dedicação da Capcom em suas ferramentas é evidente, com a RE Engine — motor gráfico utilizado desde Resident Evil 7 — consolidando-se como um pilar da companhia. Após nove anos de sua criação, os desenvolvedores demonstram domínio da tecnologia. Durante o gameplay de Resident Evil Requiem no PlayStation 5, a experiência foi impecável, sem glitches, bugs ou crashes. Nem Leon, nem Grace travaram, garantindo uma fluidez do início ao fim. Esse amadurecimento do software assegura taxas de quadros estáveis e resolução consistente. Merecem elogios também a troca veloz e sem precedentes entre as visões em 1ª e 3ª pessoa para ambos os personagens, um acerto que equilibra as experiências, especialmente para quem não se adaptou à câmera em primeira pessoa de RE7 e Village. Leon foi concebido para a 3ª pessoa, mas permite a 1ª, enquanto Grace, ideal para a 1ª pessoa, também pode ter sua câmera alterada instantaneamente. O sistema de crafting, mais bem explorado, é outro destaque. Embora opcional, é altamente recomendado, pois permite criar itens e recursos em momentos de aperto, fazendo toda a diferença. Tecnicamente, Resident Evil Requiem é o fruto de muitos esforços, superando grande parte do que foi visto nos últimos dez anos da saga em termos de direção, performance, diálogos e ação.

Pequenos Pontos de Atrito na Jornada

Apesar de sua grandiosidade, Resident Evil Requiem apresenta alguns pequenos defeitos. O mais notável é uma sensação de “enrolação” em certos trechos da narrativa. Por exemplo, Leon precisa buscar três itens, mas cada um se desdobra em um arco narrativo longo. Embora a aventura seja relativamente curta — concluída em cerca de 11 horas e meia —, essas prolongações podem testar a paciência de alguns jogadores, pois nem sempre justificam a “grande exploração” ou as distâncias colossais percorridas por “pouca coisa”.

Outro ponto que pode gerar desconforto é o papel de Grace. Apesar da promessa de uma divisão 50/50, em diversos trechos prolongados, ela se torna uma “coadjuvante de luxo”, deixando Leon S. Kennedy sozinho contra o mundo. Embora isso possa agradar muitos fãs que anseiam por mais tempo com o protagonista clássico, a novata acaba sendo um pouco apagada em sua estreia, com o fanservice desequilibrando a balança. “Grace é basicamente removida por completo em todo um trecho do jogo, com destaque total para o Leon. Não é um problema tão grande, mas remove todo o protagonismo da estreante”, comenta Diego Corumba.

Se você é um fã antigo ou recente da franquia, Resident Evil Requiem é um título obrigatório. Além de apresentar elementos clássicos de forma renovada, ele serve como um vislumbre do futuro da série nos videogames. Diferente de um renascimento como Silent Hill f, a Capcom pincelou aqui uma obra-prima de terror e um amadurecimento de tudo o que construiu até então, reunindo as melhores ideias do survival horror. Você vai se assustar, sentir o coração acelerar com a ação, correr pela sua vida, se esconder em situações de risco e encarar mais do que imagina, tudo no estilo que foi consolidado ao longo de 30 anos. Se você esperava por uma festa “tímida”, Resident Evil Requiem não é isso. É uma homenagem ao passado, uma base sólida para o presente e uma mensagem clara sobre o que veremos no futuro. E, se não fosse por GTA 6 em novembro (por enquanto), este seria facilmente o lançamento mais importante de 2026. Prepare sua mochila, pois a viagem para Raccoon City (ou o que sobrou dela) espera por você. Resident Evil Requiem estreia dia 27 de fevereiro e terá versões para PS5, Xbox Series, Nintendo Switch 2 e PCs. No Canaltech, o jogo foi avaliado com uma cópia para PlayStation 5 gentilmente cedida pela Capcom.

Fonte: canaltech.com.br

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here