Oscar: Esquerda e Direita Erram ao Ignorar a Essência da Premiação e Focar em Disputas Ideológicas

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    A Transformação do Oscar em Palco Ideológico

    A premiação do Oscar, outrora vista como uma diversão ou até mesmo um incômodo para alguns, transformou-se em um reflexo de debates ideológicos, distanciando-se da exploração da condição humana. De acordo com o crítico Paulo Polzonoff Jr., o cinema moderno, e consequentemente o Oscar, tornou-se uma forma de arte panfletária, onde a ideologia suplanta a narrativa e a profundidade emocional. O amor, o riso e o perdão foram, segundo ele, sufocados pelo identitarismo e pela busca por vingança, e o público, por sua vez, passou a frequentar as salas de cinema mais para confirmar suas posições políticas do que para apreciar a arte.

    A Sabujice da Esquerda e a Crítica à Burguesia de Hollywood

    O autor critica a postura da esquerda, que antes desprezava o Oscar e o cinema americano, mas agora busca avidamente o reconhecimento de Hollywood. Ele descreve essa busca como uma forma de “sabujice”, onde a premiação é vista como uma validação de status. Polzonoff Jr. argumenta que o Oscar, em sua essência, sempre foi uma premiação burguesa, marcada pela superficialidade, ostentação e uma crença equivocada de que a estatueta garante qualidade e relevância. Essa característica, segundo ele, é o que a torna patética.

    A Pequenez de Espírito da Direita Diante do Oscar

    Em contraste, a direita também é criticada por sua reação ao Oscar. Em vez de manter uma postura de superioridade intelectual ou educar o público sobre a história do cinema e a genialidade de obras não premiadas, a direita se limitou a fazer piadas e a celebrar a “derrota” de nomes como Wagner Moura e Kléber Mendonça. Essa atitude, para o crítico, demonstra uma “pequenez de espírito”, indigna de quem se posiciona como detentor da verdade histórica.

    A Realidade: Um Vazio Ideológico e a Busca por Relevância

    Polzonoff Jr. conclui que tanto a esquerda quanto a direita estão equivocadas em suas abordagens ao Oscar. A esquerda falha ao ignorar que a premiação reflete o “espírito do tempo” em vez da grandeza artística, enquanto a direita anseia por fazer parte do evento que despreza, buscando uma validação passageira. O crítico se inclui nesse cenário, sentindo-se cansado de escrever para um público mais interessado em conflitos ideológicos do que em experiências estéticas transcendentais. O Oscar, em sua visão, tornou-se um “nada” que, por semanas, é inflado por aqueles que insistem em vê-lo como algo grandioso.

    Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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