Nutricionistas Podem Aplicar Acupuntura para Controlar Fome? Entenda a Decisão e o Que Diz a Ciência
Conselho Federal de Nutrição autoriza a prática como recurso adjuvante, mas evidências científicas ainda são moderadas ou baixas para controle de apetite e distúrbios metabólicos.
A acupuntura, técnica milenar de origem chinesa, que tradicionalmente é associada ao alívio de dores crônicas, ganhou um novo capítulo em sua aplicação no Brasil. O Conselho Federal de Nutrição (CFN) autorizou nutricionistas a realizarem a prática, gerando discussões sobre seu uso para questões gastrointestinais, metabólicas e, especialmente, o controle da fome.
Justificativas para a Autorização do CFN
A decisão do CFN se baseia em três pilares: o que a legislação permite, as políticas públicas de saúde e as evidências científicas disponíveis. Segundo Caroline Romeiro, Gerente Técnica de Nutrição do CFN, a acupuntura pode ser um recurso adjuvante valioso em situações onde sintomas ou condições associadas interfiram no cuidado alimentar, na adesão terapêutica ou no conforto do paciente. “A acupuntura pode funcionar como recurso coadjuvante para apoiar desfechos clínicos e adesão ao tratamento, nunca para substituir a conduta nutricional estruturada”, enfatiza.
A resolução não concede um uso irrestrito da prática. Nutricionistas que desejam aplicá-la precisam de formação específica, registro da especialidade e devem atuar de forma complementar, com responsabilidade ética, civil e penal. Casos citados incluem pacientes com obesidade acompanhada de ansiedade ou compulsão alimentar, dispepsia funcional, síndrome do intestino irritável, náuseas e dor associada a determinadas condições que prejudiquem a ingestão alimentar.
O Que a Ciência Realmente Diz Sobre a Acupuntura e a Fome?
Embora a Medicina Tradicional Chinesa associe o equilíbrio do “qi” à regulação da fome e saciedade, a ciência ocidental ainda busca comprovações robustas. Atualmente, faltam estudos bem conduzidos e revisões sistemáticas fortes que validem a acupuntura como terapia principal para problemas gastrointestinais, metabólicos e regulação da fome. O próprio CFN reconhece que as evidências favoráveis para essas indicações são de nível moderado ou baixo, indicando a necessidade de mais pesquisas com metodologia rigorosa, incluindo ensaios clínicos randomizados.
Posicionamentos de Outras Sociedades Médicas
O Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA) reconhecem a acupuntura como tratamento complementar para náuseas, vômitos, gastrite, dor epigástrica e alguns distúrbios digestivos funcionais, mas não abordam diretamente obesidade ou compulsão alimentar. Sociedades como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) aguardam um posicionamento oficial do CFM sobre o uso da técnica em doenças metabólicas. A Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) não se pronunciou sobre a aplicação da acupuntura em problemas gastrointestinais.
Equilíbrio entre Evidências e Práticas Integrativas
O CFN defende que há compatibilidade entre a nutrição baseada em evidências e a regulamentação de práticas integrativas e complementares admitidas na legislação brasileira. A chave, segundo o conselho, é não tratar a acupuntura como recurso universal ou isolado, mas sim como um complemento qualificado e ético, respeitando a evidência científica disponível. A autorização para nutricionistas visa justamente garantir que a prática seja realizada de forma segura e com embasamento, dentro de um contexto terapêutico mais amplo.
Fonte: saude.abril.com.br
