A Polêmica da Nova Pirâmide Alimentar
A recente atualização da pirâmide alimentar nos Estados Unidos, sob o governo Trump, gerou considerável debate entre especialistas e no público em geral. Além das discussões sobre o aumento recomendado na ingestão de proteínas, laticínios integrais e gorduras saturadas, o documento completo de 90 páginas revelou uma seção inédita dedicada à manutenção dos níveis saudáveis de testosterona em homens.
O Que Dizem as Novas Diretrizes?
A nova orientação alimentar sugere que dietas excessivamente restritivas em gordura podem impactar negativamente a produção de testosterona. Adicionalmente, o documento aponta para a possível contribuição da suplementação com óleo de peixe rico em DHA (ácido docosahexaenoico) para a produção do hormônio sexual masculino, especialmente em indivíduos em tratamento para obesidade.
Evidências Científicas em Xeque
Contudo, especialistas brasileiros demonstram ceticismo em relação à robustez científica dessas recomendações. O endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), classifica as evidências como de “fraca qualidade” ou “emergentes”. Embora haja uma plausibilidade teórica – visto que a testosterona deriva do colesterol, um lipídeo –, Hohl afirma que, na prática, o impacto de dietas com baixo teor de gordura na produção hormonal é “improvável” para a população em geral, a menos que em situações extremas de restrição calórica.
O Papel da Nutrição e Estilo de Vida
No que tange à suplementação com DHA, a nutricionista Caroline Romeiro, gerente técnica do Conselho Federal de Nutrição, corrobora a visão de que os dados são incipientes. Ela destaca que os estudos existentes apontam para uma possível associação, mas não estabelecem uma relação definitiva de causa e efeito. Romeiro enfatiza que a via mais consistente para favorecer níveis adequados de testosterona reside na melhoria global do estado de saúde metabólica, através de uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável. “Não existe alimento nem suplemento mágico”, reforça Hohl, alertando que a alimentação é um suporte ao equilíbrio hormonal, mas não substitui a avaliação clínica em casos de suspeita de deficiência de testosterona.
Fonte: saude.abril.com.br
