Desgaste e Prolongamento do Conflito
Diante da clara superioridade militar dos Estados Unidos e Israel, o Irã estaria adotando uma estratégia de ‘guerra de atrito’ para sobreviver ao conflito. A análise de especialistas em segurança do Oriente Médio sugere que Teerã não busca uma vitória em uma guerra convencional, mas sim transformar o embate em um evento prolongado, regionalmente disperso e economicamente oneroso para seus oponentes. O objetivo é tornar a vitória de EUA e Israel cara e incerta, drenando seus recursos e infligindo perdas sustentadas.
Uso de Mísseis e Drones em “Cidades Subterrâneas”
A principal linha de defesa e ataque do Irã se baseia em mísseis e drones. Apesar de a Guarda Revolucionária Islâmica, setor dominante das Forças Armadas iranianas, ter sofrido perdas significativas em suas capacidades, o país ainda detém um arsenal considerável. Autoridades iranianas frequentemente mencionam o uso de instalações subterrâneas, apelidadas de ‘cidades de mísseis’, para armazenar e lançar seus armamentos, incluindo mísseis balísticos como o Sejjil e o supostamente hipersônico Fattah. Embora os Estados Unidos relatem uma queda expressiva nos lançamentos, o Irã ainda possui capacidade para atingir infraestruturas israelenses, bases americanas na região e aliados do Golfo, além de ameaçar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
A Dimensão Psicológica e a Exaustão dos Recursos Adversários
Além do dano físico, a estratégia iraniana inclui uma forte componente psicológica. Ataques direcionados a áreas civis, com menor preocupação com a precisão, visam instilar temor e trauma na população adversária. O uso massivo de drones, como os modelos Shahed, também serve para desgastar os sistemas de defesa aérea, forçando os oponentes a gastar mísseis interceptadores de alto custo. Essa tática, similar à utilizada pela Rússia na Ucrânia, busca exaurir as capacidades de interceptação e os recursos de defesa do inimigo. Especialistas apontam que a manutenção desse nível de combate se tornará cada vez mais difícil para ambos os lados.
Rede de Aliados e Resiliência Histórica
O Irã também conta com uma rede de aliados regionais, como os rebeldes Houthis no Iêmen, grupos armados no Iraque, o Hezbollah no Líbano e o Hamas nos territórios ocupados, formando o chamado ‘Eixo da Resistência’. Apesar das baixas sofridas por esses grupos, o Irã possui um histórico de resiliência em conflitos prolongados, remetendo à Guerra Irã-Iraque. A capacidade do país de sustentar a estratégia atual, no entanto, pode depender de sua coesão interna e da união de sua elite política e de segurança. A exaustão e a pressão sobre os operadores de mísseis podem levar a imprecisões e a uma escalada não intencional do conflito.
Fonte: g1.globo.com
