Guerra no Irã: Quem Lucra e Quem Sofre com a Crise Energética e de Abastecimento Global

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Rússia pode se beneficiar com alta do petróleo e desvio de foco dos EUA

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já causou centenas de milhares de deslocados no Oriente Médio, traz consequências globais. O conflito eleva os preços do petróleo e interrompe o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, impactando empresas e consumidores. Enquanto populações civis pagam o preço mais alto, alguns países podem encontrar vantagens estratégicas.

A Rússia, aliada do Irã, pode ver seu orçamento federal beneficiado pela disparada dos preços do petróleo. Com o barril chegando a quase US$ 120, a Rússia, cujo orçamento considera exportações a US$ 59, pode aumentar suas vendas para mercados como China e Índia, especialmente com a redução da produção dos países do Golfo. Uma recente flexibilização de sanções dos EUA, permitindo a compra de petróleo russo já em trânsito, pode gerar receitas adicionais para Moscou.

Além disso, o conflito no Oriente Médio pode desviar recursos militares americanos da Ucrânia, beneficiando a Rússia em sua própria guerra. Especialistas apontam que o esgotamento de sistemas como o Patriot pelos EUA na região pode limitar o que a Ucrânia pode adquirir no mercado.

China enfrenta desafios logísticos e busca oportunidades diplomáticas

A China, apesar de importar apenas cerca de 12% de seu petróleo bruto do Irã e possuir estoques consideráveis, sentirá os efeitos do conflito. O setor industrial chinês, voltado para exportação, será atingido pela interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e no Estreito de Bab el-Mandeb. O desvio para contornar a África aumenta o tempo de viagem e os custos em cerca de US$ 2 milhões por navio.

No entanto, a guerra pode representar uma oportunidade diplomática para a China. Pequim busca se posicionar como um parceiro global responsável, em contraste com a postura dos Estados Unidos, e o conflito pode oferecer insights sobre as reações de Donald Trump a outras questões sensíveis, como Taiwan.

Economias emergentes sofrem com escassez de energia e fertilizantes

Países do sudeste asiático, altamente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio, enfrentam severas consequências. No Vietnã, o diesel aumentou 60%, levando a medidas de trabalho remoto. Filipinas e Paquistão implementaram semanas de trabalho reduzidas e ensino a distância. Bangladesh já registra racionamento de combustível nos postos.

A interrupção do tráfego de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz, por onde passa 30% da ureia mundial, ameaça a segurança alimentar global. A QatarEnergy, um dos maiores exportadores de gás e produtor de ureia, já declarou força maior após ataques às suas instalações. Especialistas alertam para impactos na segurança alimentar e inflação nos próximos meses.

Impactos globais e o alto custo humano

A guerra no Irã expõe a fragilidade das cadeias de suprimentos globais e a interconexão das economias. Além dos impactos econômicos, o conflito no Oriente Médio já levou centenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas, evidenciando o alto custo humano dessas crises. A instabilidade na região e o aumento da tensão geopolítica continuam a ser um cenário de preocupação mundial.

Fonte: g1.globo.com

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