Maioria dos empreendedores não teme impacto negativo com fim da escala 6×1
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, que permite o trabalho em seis dias consecutivos com um de descanso, tem ganhado força no Congresso Nacional com o apoio do governo federal. Uma pesquisa recente do Sebrae, divulgada pela Agência Sebrae de Notícias (ASN Nacional), revela que a maioria dos empreendedores brasileiros não prevê prejuízos com a mudança. De acordo com o levantamento, 47% dos donos de micro e pequenas empresas (MPEs) e microempreendedores individuais (MEIs) acreditam que o fim dessa escala de trabalho não impactará seus negócios.
A 9ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada entre novembro e dezembro de 2024, indica ainda que apenas cerca de 32% dos empreendedores avaliam que a medida será prejudicial. Setores como academias, logística, beleza, agronegócio e economia criativa se destacam entre aqueles que não antecipam efeitos negativos.
Sebrae defende diálogo e transição justa
O presidente do Sebrae, Décio Lima, ressalta a importância do diálogo e da negociação com diversos setores da sociedade para que as mudanças na jornada de trabalho ocorram de forma segura e sustentável para empresas e trabalhadores. “O Sebrae está ao lado do povo brasileiro, para que as pessoas tenham mais dignidade, tranquilidade e condições de vida que as possibilitem produzir mais e melhor”, afirmou Lima. Ele também destacou que o fim da escala 6×1 pode, além de melhorar a qualidade de vida, impulsionar o aumento da oferta de empregos e avanços em produtividade.
IPEA aponta desafios para pequenos negócios
Um estudo do Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada (IPEA) sugere que a economia brasileira tem condições de absorver uma jornada de trabalho reduzida sem grandes impactos. No entanto, o instituto alerta para desafios específicos que podem surgir para os pequenos negócios, especialmente aqueles com até nove funcionários. A organização das escalas e um possível aumento de custos são apontados como pontos de atenção.
Para mitigar esses riscos, o governo e o Congresso discutem a implementação de políticas de transição. Estas podem incluir incentivos fiscais, linhas de crédito facilitadas e programas de capacitação e consultoria. O governo federal tem defendido que a redução gradual da jornada beneficie micro, pequenas e médias empresas, já que muitas grandes empresas já operam com jornadas mais curtas.
Inovação como chave para a adaptação
O presidente do Sebrae enfatiza que o foco deve ser no investimento em tecnologias e métodos de trabalho que aumentem a produtividade, em vez de apenas compensar horas. “Isso pode tornar a operação mais eficiente e viável com menos horas de trabalho, transformando o desafio em uma oportunidade de inovação, um conceito que não tem mais volta”, pontua Décio Lima.
Aprovação pública da redução da jornada
A proposta de redução da jornada de trabalho conta com amplo apoio da população. Uma pesquisa do Instituto Nexus indica que 73% dos brasileiros são a favor da extinção da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Os MPEs são responsáveis por quase 80% do saldo de empregos no país desde 2023, o que demonstra a relevância do tema para a economia nacional.
Fonte: agenciasebrae.com.br
