Estudo da Nature: Jogar Videogame Pode Aumentar o QI de Crianças em 2,5 Pontos, Desafiando Mitos Sobre o Tempo de Tela

0
7

Uma pesquisa internacional recente, publicada na prestigiada revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, desafia uma crença comum e aponta que jogar videogame pode, de fato, contribuir para o desenvolvimento do Quociente de Inteligência (QI) em crianças. O estudo, que acompanhou 10 mil jovens nos Estados Unidos por dois anos, revelou um pequeno, mas significativo, aumento no QI entre aqueles que dedicavam mais tempo aos jogos digitais.

A Metodologia por Trás da Descoberta

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram dados do ABCD Study, um projeto de acompanhamento infantil de longa duração nos EUA. Crianças com idades entre 9 e 10 anos foram observadas, relatando um tempo médio de tela diário de aproximadamente duas horas e meia assistindo TV ou vídeos online, uma hora jogando videogames e meia hora em redes sociais. Após dois anos, mais de 5 mil desses voluntários foram reavaliados. Aqueles que jogavam mais videogame mostraram um aumento de cerca de 2,5 pontos no QI em relação à média esperada para a idade. Os testes de QI avaliavam diversas habilidades, como compreensão de leitura, flexibilidade cognitiva, autocontrole, memória e processamento visuoespacial. Fatores como contexto socioeconômico e predisposição genética foram controlados para evitar vieses.

Games vs. Redes Sociais e TV

Interessantemente, o estudo também avaliou o impacto de outras formas de tempo de tela. Diferentemente dos videogames, o consumo de televisão e o uso de redes sociais não apresentaram impacto significativo na inteligência das crianças, nem positivo nem negativo. Isso sugere uma distinção importante entre os tipos de atividades digitais e seus efeitos no desenvolvimento cognitivo infantil, com os videogames se destacando por oferecer estímulos específicos que podem ser benéficos.

Pontos de Atenção e Próximos Passos

Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam a necessidade de mais investigações. O ganho de QI observado, embora positivo, é considerado pequeno, e ainda é complexo estabelecer uma relação direta e definitiva de causa e efeito. Além disso, a pesquisa não diferenciou os tipos de jogos consumidos pelas crianças nem avaliou outros efeitos do uso de telas, como impactos no sono, bem-estar emocional, desempenho escolar ou práticas de exercícios físicos. Futuros estudos deverão aprofundar a relação entre os diferentes estímulos digitais e o desenvolvimento cerebral dos infantes, além de explorar esses outros aspectos relevantes.

Fonte: canaltech.com.br

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here