Uma Visão Feminista Distorcida de Shakespeare
O filme ‘Hamnet’, dirigido por Chloé Zhao, aclamada por ‘Nomadland’, tem gerado controvérsia ao abordar a vida de William Shakespeare e a perda de seu filho. A obra, que recebeu diversas indicações e prêmios, é criticada por se afastar drasticamente da figura histórica e do contexto da época Tudor, preferindo uma interpretação enviesada por uma lente feminista contemporânea. Ao invés de explorar a genialidade de Shakespeare ou a profundidade de sua tragédia mais famosa, o filme mergulha em superstições e em uma representação peculiar da esposa do dramaturgo.
Agnes Hathaway: Bruxa e Figura Central no Roteiro
O filme foca na relação de Will Shakespeare (Paul Mescal) com sua esposa, Agnes Hathaway (Jessie Buckley), retratada não apenas como uma mulher forte e independente, mas como uma figura mística, quase uma bruxa. Agnes é mostrada com um profundo conhecimento da natureza, agindo de forma excêntrica, como dormir ao relento e ter uma conexão quase sobrenatural com o ambiente. Essa caracterização, segundo a crítica, serve mais a uma agenda feminista moderna do que a uma representação histórica fiel, obscurecendo a figura de Shakespeare e sua obra.
Shakespeare Reduzido a um Homem Inseguro e Pouco Eloquente
Longe de ser o gênio literário retratado nos livros de história, Will Shakespeare no filme ‘Hamnet’ é apresentado como um homem inseguro, com dificuldades de expressão e propenso a acessos de raiva e alcoolismo. Sua esposa, Agnes, é quem o incentiva a buscar uma carreira em Londres, assumindo o papel de força motriz em sua vida. O filme, em sua busca por um naturalismo que beira o amadorismo, esforça-se para que o personagem de Shakespeare não pareça nem soe inteligente, contrastando com a imagem icônica do dramaturgo.
A Tragédia de Hamnet e a Arte como Consolo
A perda do filho Hamnet é o evento central que, supostamente, teria inspirado a criação da peça ‘Hamlet’. No entanto, o filme minimiza essa conexão, focando na dinâmica familiar e na forma como a arte e a religião oferecem consolo diante da mortalidade. A crítica aponta que a obra falha em explorar a relação entre a tragédia pessoal de Shakespeare e sua obra-prima, com o objetivo aparente de desviar o foco dos ‘grandes homens’ para as mulheres e suas lutas. A arte é apresentada como uma forma de lidar com a dor e a realidade da morte, encontrando seu lugar não na civilização, mas na natureza selvagem.
Críticas à Abordagem e Conclusão
‘Hamnet’ é elogiado por seu elenco, cinematografia competente de Łukasz Żal e trilha sonora de Max Richter, que criam uma atmosfera coesa. Contudo, a premissa básica é considerada desprezível por tentar conectar a vida privada de Shakespeare à sua obra de forma superficial e ideológica. A crítica final é contundente: o filme não ensina nada sobre ‘Hamlet’ ou Shakespeare, servindo apenas para promover uma visão feminista que, segundo o autor, busca impor sua supremacia cultural, negligenciando a importância de grandes artistas e suas contribuições históricas.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
