Um novo e preocupante cenário de ameaças digitais emerge na Oceania, com hackers mudando drasticamente seu foco de ataque. O comércio varejista e o setor de serviços em países como Austrália e Nova Zelândia registraram um aumento significativo nas tentativas de ciberataques no último ano, superando as investidas contra infraestruturas críticas.
Nova Estratégia dos Ciberataques na Oceania
Essa mudança foi detalhada pelo Threat Landscape Report 2025, um relatório da Cyble que mapeia o panorama de ameaças no continente. Os dados coletados apontam para um crescimento alarmante de ações criminosas online direcionadas a empresas de pequeno e médio porte, comuns em comércios locais, construção e serviços profissionais variados. Essa realidade contrasta com o relatório de 2024, onde os setores governamental, de saúde e financeiro eram os principais alvos dos cibercriminosos na região.
A Lógica da “Eficiência” dos Hackers
Para especialistas, essa guinada estratégica se baseia na busca por ‘eficiência’. Rex Booth, diretor de segurança da informação da Sailpoint, explica que os hackers visam o maior lucro com o menor esforço. Atacar empresas de pequeno e médio porte nesses setores é uma forma de explorar sistemas mais vulneráveis, já que muitos desses negócios carecem de medidas de segurança digital eficazes para bloquear investidas maliciosas.
Booth ressalta que “certos setores e regiões geográficas estão atrasados em relação aos seus pares quando se trata de cibersegurança eficaz, e tanto o varejo quanto a Oceania estão nessa situação”.
O Perigo dos Trabalhadores Temporários e Sistemas Obsoletos
Além da menor segurança, o setor varejista na Oceania começou a receber um alto volume de transações, o que naturalmente atraiu a atenção dos criminosos. A própria dinâmica do setor também criou brechas que facilitam os ataques. “Trabalhadores sazonais e temporários frequentemente exigem integração e desligamento rápidos, o que pode levar a contas obsoletas ou inativas, criando uma porta aberta para os invasores”, detalhou o CISO da Sailpoint.
Mercado Clandestino Fragmentado Dificulta Rastreamento
A tendência de ataques a setores menos críticos não é exclusiva da Oceania, refletindo um movimento global de hackers que, mesmo sem as ferramentas necessárias para derrubar grandes organizações, conseguem causar estragos significativos. O relatório da Cyble também destaca a fragmentação do mercado clandestino de dados. Durante as investigações, especialistas analisaram a origem da venda de dados para comprometer sistemas do varejo, descobrindo que não havia “ninguém em particular”. Isso porque todas as vendas que surgiam em mercados na dark web vinham de contas novas de usuários, dificultando a detecção e o rastreamento dos responsáveis pelas ações criminosas.
Fonte: canaltech.com.br