Com os preços dos carros no Brasil atingindo patamares cada vez mais elevados, a ideia de adquirir um veículo 0km em países vizinhos, como o Paraguai, torna-se um atrativo para muitos consumidores. A expectativa é que, com uma carga tributária supostamente menor, a compra possa resultar em uma economia significativa. No entanto, a realidade por trás dessa percepção é bem mais complexa e, na maioria dos casos, menos vantajosa do que se imagina.
Preços atraentes, mas para quais produtos?
O Paraguai é conhecido por oferecer produtos eletrônicos e outros itens com valores mais competitivos. Essa fama, contudo, não se estende para o mercado de carros 0km. Embora as concessionárias paraguaias possam exibir preços iniciais mais baixos, a matemática para trazer esses veículos legalmente para o Brasil é outra. Para ilustrar, pegamos como exemplo o Renault Kwid, um dos modelos mais acessíveis em ambos os países.
Enquanto um Kwid 0km no Paraguai é anunciado por cerca de 53,5 milhões de guaranis (aproximadamente US$ 11.500 ou R$ 58 mil, dependendo da cotação), o mesmo modelo no Brasil custa entre R$ 74 mil e R$ 80 mil. A diferença inicial de quase R$ 20 mil é sedutora, mas não reflete o custo final.
A barreira da importação legal e os impostos
A legislação brasileira é clara: para que um carro comprado no exterior possa ser registrado e emplacado no Brasil, ele precisa ser obrigatoriamente novo (veículos usados só são permitidos se tiverem mais de 30 anos) e passar por um rigoroso processo formal de importação. Este processo implica no pagamento de uma série de tributos federais e estaduais, que incidem sobre o valor do veículo. Entre eles, destacam-se o Imposto de Importação (II), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o PIS/COFINS e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Custos adicionais que pesam no bolso
Além dos impostos diretos, a importação de um veículo envolve uma série de outros custos obrigatórios que elevam consideravelmente o valor final. Entre eles estão o frete e o transporte do veículo até o Brasil, as taxas de despacho aduaneiro, possíveis adaptações técnicas e homologação para atender às normas brasileiras, além dos custos de emplacamento e documentação. Esses adicionais podem facilmente somar mais R$ 15 mil ao processo total, transformando a suposta economia em um gasto extra substancial.
Ao somar todos os impostos e taxas, bem como os custos operacionais de importação, a simulação para o Renault Kwid revela um cenário desfavorável. O custo total de um Kwid adquirido no Paraguai e devidamente regularizado no Brasil poderia variar entre R$ 113 mil e R$ 120 mil. Isso significa que, no fim das contas, a compra de um carro 0km no Paraguai e sua importação para o Brasil não só não é mais barata, como pode custar significativamente mais do que a aquisição do mesmo modelo diretamente em uma concessionária brasileira. Portanto, para quem busca economia, a compra em terras vizinhas para posterior importação não se mostra uma alternativa viável ou vantajosa.
Fonte: canaltech.com.br
