Cairn: Por que escalar em um videogame nunca foi tão divertido e brutalmente recompensador

0
8

Há algum tempo, destacamos em uma de nossas listas os melhores jogos que traduzem a experiência de escalar nos videogames, com uma menção honrosa para Cairn, que na época ainda não havia sido lançado. Agora, após mais de oito horas imerso na escalada do Monte Kami ao lado da alpinista profissional Aava, podemos afirmar com convicção: Cairn merece o cume dessa lista.

Desenvolvido pela The Game Bakers, o jogo alcança um equilíbrio magistral entre desafio e diversão. Seus elementos de gerenciamento e sobrevivência entregam uma brutalidade nas escaladas que raramente vemos, expandindo o leque de possibilidades e preocupações para além da simples subida. Aqui, você precisa gerenciar não apenas recursos básicos como fome e sede, mas também o clima, a visibilidade, os machucados de Aava e o estado de suas ferramentas. Embora não seja um simulador estrito, Cairn é uma escolha excelente para quem busca uma experiência de escalada complexa, envolta em uma interface agradável enquanto se aventura pela maior montanha do mundo.

Uma Jornada Desafiadora no Monte Kami

Cairn nos apresenta Aava, uma alpinista profissional renomada que embarca no maior desafio de sua vida: ser a primeira pessoa a alcançar o topo do Monte Kami. Obstinada, ela coloca seu objetivo em primeiro lugar, carregando o peso do legado de seu pai, outro alpinista lendário. A base de Cairn reside justamente em sua mecânica de escalada, que encanta e desafia desde o início.

No jogo, controlamos um membro de Aava por vez (pernas e braços), sempre atentos à distribuição de peso e buscando saliências, rochas e rachaduras em verdadeiros paredões de pedra. Essa precisão é crucial, pois a alpinista pode perder o vigor ou a aderência, desequilibrando-se e resultando em quedas ou até na morte em alturas elevadas. Descansar é fundamental: seja para recuperar o vigor rapidamente, seja para fixar um píton e usar a corda para um descanso mais prolongado. O Climbot, o pequeno assistente robô de Aava, é um parceiro valioso, ajudando na recuperação de pítons, na produção de magnésio (que aumenta a aderência) e servindo como ponte de comunicação entre Aava, sua namorada e seu agente.

Domine a Montanha: Mecânicas de Sobrevivência e Gestão

Cairn explora intensamente os sistemas de sobrevivência e gestão de recursos. Durante as escaladas, Aava encontra diversos itens, desde macarrão instantâneo até flores e ervas medicinais. Com eles, é possível produzir bebidas e alimentos que, quando combinados, ajudam a estabilizar os medidores de fome, sede, saúde e temperatura. Algumas receitas, inclusive, concedem bônus valiosos para a escalada.

Todos esses itens e ferramentas são distribuídos na mochila de Aava, ocupando um espaço físico. Esse sistema de inventário é tão engenhoso quanto o clássico de Resident Evil 4, transformando a organização dos suprimentos em um verdadeiro quebra-cabeça. Além disso, Aava deve se preocupar com o clima e o ciclo de dia e noite. Escalar na chuva, por exemplo, é difícil e baixa rapidamente o medidor de temperatura. A exploração noturna, apesar de Aava carregar uma fonte de luz generosa, complica bastante a visibilidade da montanha e dos pontos de apoio, aumentando consideravelmente o risco.

Um Mundo de Detalhes e Recompensas Escondidas

Cairn se destaca por não limitar o jogador a uma progressão puramente vertical. A exploração é essencial, tanto para obter recursos importantes e evitar dores de cabeça com fome e sede, quanto para avançar narrativamente e descobrir mais sobre o Monte Kami. A variedade de surpresas encontradas ao sair do caminho convencional é extremamente recompensadora, algo notável para um jogo de escalada.

Desde festas secretas em cavernas e apiários misteriosos até resquícios de uma antiga civilização montanhosa, o mundo de Cairn se mostra vivo e cheio de história. Encontramos outros personagens (ou seus rastros), o que enriquece a jornada. No entanto, essa exploração vem com um risco: alguns locais ou objetos estão em posições complicadas, e o tempo é um recurso valioso. As barras de sobrevivência de Aava diminuem constantemente, e nem sempre os recursos encontrados compensam o esforço e o risco de se desviar do trajeto principal, desafiando os jogadores que buscam uma subida mais tranquila.

Pequenos Desafios em Meio à Grandeza

A atenção aos detalhes é o ponto mais forte de Cairn. Tudo no jogo pode afetar a escalada de Aava, desde a saúde de seus dedos — que precisam ser enfaixados se machucados para não prejudicar a aderência — até a porosidade das paredes, que impede a colocação de pítons (que servem como checkpoints rápidos). O jogo apresenta todos esses recursos de forma progressiva e em um ritmo invejável, evitando que a complexidade se transforme em caos. A interface, elogiada anteriormente, é uma das melhores partes, facilitando a navegação por uma ampla gama de ferramentas, especialmente para quem opta pela versão de PlayStation 5.

Como todo jogo, Cairn possui alguns impasses que podem atrapalhar a experiência. Problemas de colisão, por exemplo, ocasionalmente fazem com que um membro de Aava entre em uma parede, dificultando a percepção de segurança ou equilíbrio. A transição automática do modo escalada para caminhada em terreno plano nem sempre é perfeita, com a personagem demorando a identificar a mudança, o que é problemático, pois tempo é igual a recursos. Além disso, tentar sair da escalada com um salto de uma altura razoável pode, por vezes, arremessar Aava para trás com força excessiva, resultando em quedas bruscas.

Para quem busca um jogo profundo e técnico, mas que sabe balancear a diversão e os desafios, Cairn é uma excelente pedida. O título possui uma demo disponível no PC e no PlayStation 5, que oferece o núcleo da experiência — o controle preciso dos quatro membros de Aava — para que você possa testar e se apaixonar pelo estilo. As mecânicas de sobrevivência e gestão de recursos podem afastar alguns, mas, no fim das contas, o jogo da The Game Bakers oferece uma jornada fantástica e brutal, com momentos de calmaria em meio à tempestade. Sem dúvidas, Cairn é uma das primeiras e mais agradáveis surpresas indie do ano, transformando a escalada em algo incrivelmente envolvente nos games!

Fonte: canaltech.com.br

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here