Buscas por ‘Nudify’ Disparam no Brasil Impulsionadas por IA, e FGV Cobra Google por Desindexação Urgente de Sites de Geração de Nudez Falsa

0
5

Buscas por ‘Nudify’ Disparam no Brasil Impulsionadas por IA, e FGV Cobra Google por Desindexação Urgente de Sites de Geração de Nudez Falsa

Estudo da Fundação Getulio Vargas Direito Rio aponta responsabilidade do mecanismo de busca na amplificação de abusos e propõe medidas estruturais contra plataformas que criam deepfakes sexuais não consensuais.

As buscas pelo termo ‘nudify’ no Brasil atingiram um patamar recorde, impulsionadas pela popularização de ferramentas de inteligência artificial (IA) capazes de gerar imagens falsas de nudez sem consentimento. Diante desse cenário alarmante, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) Direito Rio recomenda que o Google adote ações rigorosas, incluindo a remoção imediata desses sites de seus resultados de pesquisa, visando combater a proliferação de abusos.

Medidas Propostas pela FGV para Frear o Abuso Digital

O documento da FGV detalha uma série de medidas estruturais que o Google deveria implementar. A principal delas é a desindexação completa de URLs que hospedam ferramentas de ‘nudify’, abrangendo domínios espelhos e variantes linguísticas. Para evitar futuras indexações, os pesquisadores sugerem a aplicação de filtros algorítmicos avançados, baseados em análise semântica e metadados.

Além disso, a FGV propõe a eliminação de sugestões de termos como ‘nudify’, ‘undress AI’ e ‘deepnude’ na função de ‘autocompletar’ do Google. Outras recomendações incluem a exibição de avisos de segurança nos resultados de busca para informar os usuários sobre a ilegalidade e os danos da prática, a atualização das políticas do Google para classificar essas páginas como nocivas – equiparando-as a sites de imagens íntimas não consentidas – e a criação de um canal de denúncia rápido para vítimas e organizações da sociedade civil. O estudo também cobra transparência nos relatórios sobre URLs removidas e incentiva um diálogo multissetorial para desenvolver um protocolo global de resposta.

O Impulso do “Efeito Grok” e a Responsabilidade dos Buscadores

O pedido de intervenção da FGV tem como base a análise de dados do Google Trends, que revelou que o interesse pelo termo ‘nudify’ atingiu seu pico máximo em dezembro de 2025. Esse período coincide diretamente com a geração em larga escala de imagens sexualizadas pela ferramenta Grok, da rede social X de Elon Musk. A coordenadora do estudo e professora Yasmin Curzi enfatiza que o Google, como principal portal de descoberta para essas tecnologias, confere legitimação cognitiva aos sites e reduz a barreira de entrada para usuários sem conhecimentos técnicos avançados.

“A indexação desses sites pelo Google amplifica exponencialmente o alcance de tecnologias de abuso, facilitando violência de gênero online e abuso infantil em escala industrial”, alerta Curzi, ressaltando a urgência da intervenção.

Impacto Alarmante nas Escolas e o Amparo Legal para a Intervenção

A facilidade de acesso a essas ferramentas de IA tem um impacto direto e preocupante no ambiente escolar. Um mapeamento da SaferNet Brasil, realizado em 2025, identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino de 10 estados brasileiros, afetando tanto alunas quanto professoras. Este dado sublinha a vulnerabilidade de jovens e profissionais da educação diante da disseminação dessas tecnologias.

A cobrança por desindexação é fundamentada em importantes marcos legais brasileiros, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A FGV baseia seu pedido também no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entra em vigor em março de 2026 e impõe aos fornecedores o dever de prevenir e mitigar riscos de exposição a conteúdos de abuso, reforçando a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de menores.

Fonte: canaltech.com.br

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here