O Banco do Brasil (BB) marcou um passo significativo em sua estratégia de internacionalização ao anunciar, nesta sexta-feira (6), a liberação do sistema de pagamentos Pix para brasileiros que estão na Argentina. A novidade permite que usuários de qualquer instituição financeira no Brasil realizem compras em estabelecimentos físicos credenciados no país vizinho, utilizando a praticidade do Pix.
A operacionalização desta funcionalidade internacional é fruto de uma parceria estratégica com o Banco Patagonia, uma instituição argentina que está sob o controle do próprio Banco do Brasil, e conta com o suporte da infraestrutura tecnológica da empresa Coelsa. Este movimento é parte de um plano mais amplo do BB, que já estuda expandir o recurso de pagamentos instantâneos para outras nações nas Américas, Europa e Ásia, com foco em regiões que concentram grandes comunidades brasileiras.
Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Risco do BB, destacou que o lançamento reforça a atuação internacional da marca e seu compromisso com a inovação em meios de pagamento. Oswaldo Parre, presidente-executivo do Banco Patagonia, complementou, afirmando que a iniciativa representa um avanço na integração regional.
Como o Pix Funciona na Argentina
A experiência para o usuário final que utiliza o Pix na Argentina é idêntica àquela já conhecida no Brasil. Para realizar uma compra, o cliente simplesmente escaneia um QR Code disponibilizado pelo lojista argentino, que pode estar exibido em uma maquininha de cartão ou outro dispositivo.
A leitura do código é feita diretamente pelo aplicativo da instituição financeira de preferência do brasileiro, eliminando a necessidade de cadastros adicionais ou liberações prévias. O processo é intuitivo e busca replicar a facilidade de uso já estabelecida no mercado doméstico.
Processamento de Câmbio e Taxas
Nos bastidores, o Banco do Brasil atua como o principal processador da transação internacional. A instituição é responsável por realizar a operação de câmbio, convertendo o valor da compra para a moeda local argentina. Simultaneamente, o montante correspondente é debitado da conta do usuário em reais.
O lojista argentino, por sua vez, recebe o pagamento diretamente em sua respectiva moeda local. É importante notar que, devido à natureza internacional da operação, a transação está sujeita à cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), conforme a legislação vigente.
Antes da finalização do pagamento, o valor total da compra, que inclui a conversão cambial e os tributos aplicáveis, é exibido de forma transparente na tela de confirmação do aplicativo do usuário. No extrato bancário do cliente, a movimentação é registrada de maneira similar a um Pix comum, facilitando a identificação.
Contexto de Mercado e Futuro
A iniciativa do Banco do Brasil surge em um cenário onde outras empresas já exploram a integração de pagamentos transfronteiriços. Em dezembro, o Mercado Pago, por exemplo, já havia anunciado a funcionalidade que permite a turistas argentinos utilizarem o Pix no Brasil. Além disso, fintechs como a PagBrasil também têm adotado medidas semelhantes de integração, indicando uma tendência crescente no mercado de pagamentos internacionais.
A estratégia do BB de focar em regiões com grande presença de comunidades brasileiras sublinha a importância de oferecer soluções financeiras que acompanhem seus clientes onde quer que estejam, consolidando sua presença e inovação no cenário global.
Fonte: canaltech.com.br
