Amazon Demite 16 Mil Funcionários Dias Antes de Revelar Lucros do 4º Trimestre, Repetindo Padrão Estratégico de Cortes para Focar em IA e AWS

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A Amazon anunciou nesta quarta-feira (28) a demissão de aproximadamente 16 mil funcionários de sua estrutura corporativa. O corte ocorre às vésperas da divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025 e repete uma estratégia já adotada pela companhia: reduzir a força de trabalho dias antes de prestar contas aos investidores.

O movimento reforça a busca da gigante do varejo por eficiência operacional e redução de burocracia, enquanto redireciona investimentos massivos para áreas estratégicas como a inteligência artificial (IA) e os serviços em nuvem.

Um padrão de reestruturação se consolida

Esta não é a primeira vez que a Amazon realiza demissões em massa pouco antes de seus relatórios financeiros. Em outubro de 2025, a companhia já havia desligado 14 mil colaboradores no dia 28, apenas dois dias antes de revelar seus números do terceiro trimestre. Naquela ocasião, o relatório financeiro já contabilizava um impacto de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9,3 bilhões) em custos de rescisão relacionados à eliminação de cargos.

Agora, a história se repete com a confirmação dos novos desligamentos pouco antes da conferência de resultados do último trimestre do ano passado, marcada para 5 de fevereiro.

Bastidores conturbados e as justificativas da Amazon

O anúncio oficial das 16 mil demissões veio após um deslize interno. Na terça-feira (27), um e-mail enviado por engano a funcionários da Amazon Web Services (AWS) mencionava “mudanças organizacionais” e um misterioso “Projeto Dawn”, antecipando a notícia e gerando apreensão antes da confirmação pública.

Em comunicado, a vice-presidente sênior de Experiência de Pessoas e Tecnologia, Beth Galetti, justificou as demissões como uma medida para “reduzir camadas e aumentar a responsabilidade”, garantindo que a empresa invista em suas “maiores apostas”. Galetti reconheceu a dificuldade da notícia e explicou os motivos por trás da decisão.

A maioria dos funcionários afetados nos Estados Unidos terá um período de 90 dias para buscar novas posições internamente na companhia, além de receberem suporte de transição e verbas rescisórias caso não encontrem realocação.

O peso dos cortes nos balanços financeiros

Os resultados do terceiro trimestre de 2025 deixam claro o custo — e o resultado — dessa reestruturação. A empresa reportou vendas líquidas de US$ 180,2 bilhões, um aumento de 13% em relação ao ano anterior. No entanto, o lucro operacional de US$ 17,4 bilhões foi diretamente afetado pelas despesas com as demissões em massa e por um acordo legal com a Federal Trade Commission (FTC).

Sem esses encargos extraordinários, o lucro operacional teria saltado para US$ 21,7 bilhões, o que sinaliza aos acionistas que, apesar dos custos imediatos com rescisões, a operação da empresa se torna mais lucrativa com uma estrutura mais enxuta.

Aposta total em Inteligência Artificial e Nuvem

Enquanto corta vagas em seu setor corporativo, a Amazon acelera investimentos em áreas estratégicas. A divisão de nuvem, Amazon Web Services (AWS), registrou um crescimento de 20% no último trimestre, alcançando US$ 33 bilhões em vendas.

O CEO Andy Jassy tem sido vocal sobre o papel da IA na transformação da empresa. “Continuamos a ver um forte impulso e crescimento em toda a Amazon, à medida que a IA impulsiona melhorias significativas em cada canto do nosso negócio”, afirmou o executivo no último balanço. A empresa também destacou investimentos pesados em infraestrutura para suportar essa demanda, adicionando mais de 3,8 gigawatts de capacidade de energia nos últimos 12 meses para seus data centers, reforçando sua aposta no futuro da tecnologia.

Fonte: canaltech.com.br

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